Porque a Black Friday pode ser o fim do seu e-commerce?

Segundo dados do Ebit, a expectativa é que essa Black Friday seja responsável pela fatia de R$53,5 bilhões em relação ao faturamento total anual do mercado de e-commerce

Alfredo Soares, Administradores.com,
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Segundo dados do E-bit, a Black Friday promete crescer 15% em 2018. Esse ano, o evento será realizado na sexta-feira, dia 23/11, e a data já é a segunda mais importante do mercado brasileiro, sendo o Natal a principal para o comércio. Estima-se ainda que cerca de 370 mil pessoas comprem pela primeira vez no ambiente online em 2018. Além disso, dos que já compraram em edições anteriores, 80% pretendem comprar novamente. 

Muitos consumidores economizam o ano todo para aproveitar essa data e a expectativa dos lojistas é ter um aumento no volume de vendas e no faturamento. Segundo dados do Ebit, a expectativa é que essa Black Friday seja responsável pela fatia de R$53,5 bilhões em relação ao faturamento total anual do mercado de e-commerce. 

Motivos para conquistar boas vendas e lucros são muitos, mas o que nem todo mundo sabe – ou não revela – são os vilões por trás do Black Friday. Segundo um levantamento recente que fizemos com nossa base de dados, 15% dos lojistas com menos de um ano, acabam fechando após a Black Friday. 

Um dos principais problemas começa pela falta de planejamento. Outros pontos a serem levados em conta são: estoque, logística, promoções sem uma estratégia definida e o pós-venda. Os erros durante o maior evento do varejo são mais comuns do que você possa imaginar, pois muitas pessoas criam seus e-commerces achando que será simples e que as vendas serão naturais e fáceis, como acontecem nos grandes players do mercado. Só após o turbilhão da data é que os lojistas se dão conta do que realmente aconteceu. É aí que muitos desistem do negócio.

Para que isso não aconteça, é preciso se atentar a alguns pontos chaves: 

Planejamento é fundamental: comece a planejar a Black Friday com antecedência, pois a data requer muito cuidado. Tome os devidos cuidados e tenha tudo alinhado e bem desenhado. Lembre-se que é a data mais importante para o e-commerce, portanto não dê garantias do que não possa cumprir. 

Não queime a largada: liberar a loja com muita antecedência em relação ao horário oficial da Black Friday pode frustrar os consumidores que, ao acessar o site, vão se deparar com preços não tão diferentes daqueles já praticados. 

Faça uma varredura no seu site: Todas as páginas estão funcionando corretamente? Existem links quebrados? Corra para fazer uma varredura na sua loja atrás de erros. Corrija-os o mais rapidamente possível. 

Ações, promoções e definições: estabeleça o cronograma das ações que acontecerão na Black Friday e em torno dela. Promoções são muitas vezes o atrativo dos e-commerce, mas muito cuidado, pois uma promoção mal executada pode ser um fiasco. Pesquise o mercado, veja a concorrência. 

Olhe o tamanho do seu estoque: por estar a muito tempo nessa área, já ouvi todo tipo de relatos. A demanda de Black Friday é tão grande, que muitos alocam os próprios cômodos (quarto, cozinha e sala) para garantir os produtos. É necessário ter um estoque em dia, para evitar desperdícios com acúmulo ou escassez de produtos. Investir tempo e dinheiro e não ter estoque suficiente para seus clientes pode ser frustrante para os dois lados: lojista e clientes.

Olho no prazo de entrega: a logística é uma das principais áreas do e-commerce, permitindo que as lojas consigam atender pedidos, fazer a correta distribuição das mercadorias e a entrega dentro do prazo. É comum que e-commerces iniciantes façam entregas via Correios, que apesar de mais caras, garantem entrega em território nacional. 

Um dos principais problemas desse serviço é a demanda que os Correios recebem nessa data. A culpa pelo atraso ou não entrega do produto não é dos Correios e sim do e-commerce. Muitos clientes insatisfeitos acabam acionando órgãos responsáveis e processando a loja virtual. 

Por outro lado, a opção pelas transportadoras proporciona maior eficiência, mas deve ser avaliado se o volume de vendas do e-commerce é grande o suficiente para fazer esse tipo de contrato.

Cuidado para não dar um passo muito grande. 

Trabalhe com parceiros confiáveis: caso você trabalhe com fornecedores, um bom relacionamento é fundamental. Além de conseguir reposição para os seus produtos, fica mais fácil conseguir descontos, condições de pagamentos e prazos menores. Além disso, confirme o lead time com os fornecedores, ou seja, o tempo de entrega e a viabilidade que eles têm. 

Faça Integrações: a integração do e-commerce com sistemas de logística e estoque é essencial para um controle mais adequado das vendas. Evitando assim, futuras reclamações ou indisponibilidade do produto oferecido. Atente-se a isso. 

O pós-venda: Se o pós-venda não for bem feito, o Black Friday pode ser um “tiro no pé”. Não arrisque, não coloque a integridade da sua marca em jogo por uma desorganização da operação interna da sua loja, mesmo que ela seja pequena. Por isso pratique e crie regras para sua operação, você é o dono do jogo, saiba como jogar. Tenha planos A, B e até mesmo C. 

Para reflexão final, se sua loja virtual apresentar algum problema citado, não surfe a onda da Black Friday. Programe-se, planeje-se, organize-se e estude para o próximo ano, pois se você não estiver 100% seguro de que está preparado, a chance de falhar e fechar seu negócio será gigante. 

Alfredo Soares — Co-Head Global SMB da VTEX. É fundador da Xtech Commerce, plataforma que em três anos criou mais de 40 mil lojas virtuais e transacionou mais de 500 milhões de reais. Soares é empreendedor bootstrap, palestrante, investidor anjo e fundador e investidor da Socialrocket. Um dos empreendedores promessa endeavor 2016, eleito profissional de tecnologia pelo Fórum E-commerce Brasil 2017 e reconhecido como um dos empreendedores do ano no startup awards.