Engana-se quem pensa que o networking é fundamental apenas na hora de buscar uma nova posição no mercado de trabalho. Criar e manter uma rede de contatos e relacionamentos internos – ou seja, na companhia em que se atua – é fundamental para se alcançar objetivos profissionais, segundo observa Carmelina Nickel, consultora da DBM, maior consultoria global especializada em gestão do capital humano em momentos de transição.
“O chamado ‘networking interno’ é corriqueiramente esquecido pelos executivos. Eles fazem contatos com seus pares em outras empresas, participam de palestras, estudos e análises sobre seus mercados, mas esquecem de se relacionar nas próprias companhias em que atuam”, informa Carmelina. “É um erro. É imprescindível "alimentar" o networking também no ambiente de trabalho sob a pena de perder a posição para alguém de fora, apenas porque o cliente interno não o conhecia”, completa.
A importância do networking interno cresce na medida em que evoluem os números de fusões, aquisições e reestruturações – cada vez mais freqüentes, dados os novos contextos de diversos segmentos econômicos, principalmente neste cenário de crise econômica.
“Nestes momentos, ser conhecido internamente é fundamental. Não estamos falando de proteção ou de bairrismo, mas sim da importância de ter uma rede interna ativa para que a empresa não corra o risco de, num momento estratégico como este, perder um executivo competente, apenas porque ele não é conhecido por seus pares na mesma organização”, diz Carmelina.
Algumas dicas valiosas para estimular o networking interno: abrir espaço para almoços com os colegas, sejam eles superiores ou subordinados; não recusar convites para um cafezinho no meio do expediente, pois muitas vezes esses encontros são estratégicos para construção de alianças, para vendermos idéias, ou mesmo recebermos apoios, entre outros. “Não é perda de tempo, não é bobagem provocar ou aceitar os convites, essa visibilidade pode significar uma promoção, participação em projetos importantes, reconhecimento de competências ou uma transferência de área”, afirma.
"A construção de uma rede de relacionamento não acontece do dia para noite. Ela deve pautar-se em reciprocidade. O networking deve ser positivo para todos os envolvidos". Para a consultora, é necessário também que todas as oportunidades sejam aproveitadas para o fortalecimento da rede e não apenas as relativas ao âmbito de trabalho. "Desde atividades culturais até esportivas podem ser excelentes momentos para testar e ampliar rede de relacionamentos. É importante que essa rede seja construída naturalmente", adiciona. "O networking interno ou externo é um exercício de civilidade: é a construção do tecido social."