Nova operadora de celular em SP estréia hoje

A Aeiou, marca adotada pela empresa que será a quarta operadora de celular em São Paulo, admite ter enfrentado alguns problemas técnicos no período de testes que realizou com 10 mil chips na capital paulista, mas garante ter superado todos eles para a estréia comercial, programada para hoje.

O presidente-executivo José Roberto Melo da Silva, que é também o idealizador da companhia, informou que a antiga Unicel "enfrentou alguns 'bugs' (problema ou erro no funcionamento de um software), mas todos devem estar resolvidos até hoje". Segundo ele, "as coisas estão acontecendo dentro do previsto", já que a operadora decidiu promover um mês de testes com clientes justamente para solucionar os problemas, que foram de ordem técnica.

A marca Aeiou foi escolhida com o objetivo de associação ao público jovem, mercado prioritário para a companhia neste primeiro momento. A chegada da portabilidade numérica, desde o dia 1º de setembro, beneficia operadoras estreantes como a Aeiou, mas Melo da Silva afirma que era algo já previsto no modelo de negócios da empresa. Além disso, a portabilidade só chega ao código 011 em março, quando, além da Aeiou, também a Oi já estará em São Paulo, além de Vivo, TIM e Claro.

Polêmicas e mistérios

Na última quinta-feira (dia 4), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu sua anuência prévia à venda de 49,01% do capital da operadora para a HiTs Telecom, grupo da Arábia Saudita que também controla operadoras no continente africano e tem ações negociadas na Bolsa do Kuwait. A história da companhia esteve envolvida em polêmicas e mistérios até agora. Em 2006, ela foi a única interessada pelas licenças de celular no Estado de São Paulo que a Anatel já havia tentado vender três vezes sem sucesso. Mas o pagamento das garantias foi feito apenas via liminar judicial.

A documentação da companhia também fez com que o processo de assinatura do contrato levasse quase seis meses para ser feito na agência. Um erro na documentação chamava a Anatel de Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), agência reguladora do setor elétrico, o que contribuiu para a demora, segundo reportagens da época. Tanto Melo da Silva quanto o investidor que ele apresentou (o americano Edward Jordan) eram desconhecidos de boa parte da mídia que acompanha o setor de telecomunicações no Brasil.

A própria operadora chegou a anunciar que teria escolhido a Ericsson para montar sua rede, mas a dificuldade de obter recursos fez com que o negócio não fosse adiante. Na negociação com outro investidor - dessa vez a HiTs -, a antiga Unicel acertou também outro fornecedor para a rede, a chinesa Huawei, com quem a HiTs tem contrato global. Edward Jordan deixou o negócio.

Hoje, ainda resta uma disputa. Apesar de ter comprado licenças para todo o Estado de São Paulo, um dos lotes é alvo de um pedido de reconsideração por parte da TIM na Anatel. Por isso, por enquanto a operação está restrita à região metropolitana (código 011).

A HiTs Telecom tem uma opção de assumir o controle total da operadora em um período de três anos, segundo Melo da Silva. Além disso, o grupo árabe "procura outras oportunidades de investimento nos países sul-americanos", de acordo com o executivo, já que até então a HiTs não tinha nenhum negócio na região. O grupo declarou ter investido US$ 62 milhões para comprar 49,01% da Unicel.


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