Novos ares ao sistema de franquias chileno

Não é de hoje que o mercado chileno desperta interesse das grandes empresas brasileiras. Se fôssemos especificar o setor de franquias, então, seria vasta a relação de pretendentes. Pouco se conhece, entretanto, sobre o nível de maturidade e as barreiras regionais. Num país em desenvolvimento, com 16,2 milhões de habitantes, PIB de US$ 115,3 bilhões e inflação de 3,1%, nota-se a falta de conhecimento das leis e do sistema de franchising, já tão avançado no Brasil, informou o Jornal do Commercio.

Os principais setores da economia - finanças (21,1%), manufatura (16,7%), comércio (11,4%), serviços (11,3%), mineração (8,7%), transporte e comunicações (8,7%), construção (8,4%), agricultura (6,7%) e eletricidade, gás e água (3,1%) - apontam uma imensa capacidade de crescimento, principalmente, quando se observa a renda per capita local (US$ 4 mil), quase o dobro do índice brasileiro (US$ 2,2 mil). Além disso, o Chile apareceu com a melhor colocação da América Latina, 28º lugar, no ranking de ambiente favorável para realização de negócios.

Com base nos resultados positivos, é instigante vislumbrar a prosperidade de amplas parcerias entre os dois países, principalmente quanto às franquias, já que atualmente, o mercado chileno possui 124 redes, sendo 72% de origem estrangeira e distribuídas nos setores de gastronomia (30%), serviços (30%), comércio (20%), vestuário (13%) e educação (7%). Cabe ressaltar que entre os países estrangeiros mais representativos nesse tipo de negócio estão os Estados Unidos (36%) e a Argentina (10%). O Brasil detém apenas 2% e as locais, 28%. Entre os segmentos surgem fast food (23%), moda (16%), restaurantes (10%, lojas de presentes (7%) e entretenimento (7%).

Investimento
Se estratificarmos de maneira mais profunda as características dos investidores desse mercado, surgem dados como o de que franquias internacionais operam no Chile no formato de "master franquias", ou seja, responsáveis por desenvolver toda uma área, como uma capital, por exemplo, ou uma grande região, determinada em contrato. Outro é o de que 50% delas, incluindo as chilenas, têm a cultura de entregar as franquias a terceiros, enquanto 40% não "subfranquiam". Além do que, o montante total estimado para investimento gira em torno de US$ 50 mil e US$ 200 mil e o período médio de recuperação do capital investido é de três anos.

Sob o ponto de vista do franqueador, a duração média dos contratos é de sete anos, os royalties sobre as vendas líquidas é de aproximadamente 5%, a taxa de publicidade gira em torno de 3% sobre vendas líquidas e o setor gera aproximadamente 35 mil postos de trabalho.

Essa análise detalhada reluz o diagnóstico de um mercado de franquias pouco explorado, ainda sem regulamentação e lei específica e, o principal, sem crédito perante os potenciais investidores. Essa falta de profundidade ainda é agravada pela dificuldade para encontrar bons pontos comerciais, pelas escassas ferramentas de informação e capacitação e, às estrangeiras, em especial ao Brasil, as dificuldades geográficas, que impedem a implantação de um sistema de logística engrenado.

Contudo, se esses pontos forem trabalhados em parceria com institutos, universidades, associações e formadores de opinião locais, a fim de estabelecer um maior nível para esse tipo de "empreendedorismo", torna-se factível seu crescimento. Setores industriais e outros modelos de negócio podem incorporá-lo e gerar, assim, o aumento da competência e modernização de toda essa oferta, com um consumidor (investidor e cliente final) mais exigente e conseqüente especialização.


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