O admirável mundo novo da gestão de pessoas

É surpreendente o cenário delineado pela PricewaterhouseCoopers (PwC) no estudo “A Gestão de Pessoas no Futuro”, que mostra como as relações de trabalho deverão se assentar até 2020. Baseado em pouco mais de 2,7 mil entrevistas realizadas nos Estados Unidos, na China e no Reino Unido, o levantamento revela quais são as expectativas dos profissionais da chamada “Geração Y” – formada por aqueles que estrearam no mercado de trabalho no início desta década. “São pessoas que, hoje, ocupam cargos técnicos de destaque e que, até 2020, começarão a ditar os rumos dos negócios ao redor do mundo”, explica João Lins, sócio da PwC na área de Organização e Capital Humano – que, nesta quarta-feira (25), realizou uma palestra durante o lançamento oficial da edição 2009 do Congresso Gaúcho de Recursos Humanos – CONGREGARH, promovido pela ABRH-RS (veja mais informações nesta edição).

O estudo não se detém sobre uma única tendência. Em vez disso, identifica quais serão as principais forças que afetarão a dinâmica do trabalho nos próximos 12 anos. Uma dessas forças, por exemplo, é a do individualismo – que se confrontará com a necessidade de um pensamento coletivista nas organizações; outra é a da fragmentação – que se chocará com a tendência de consolidação de grandes conglomerados empresariais. Num exercício prospectivo, a PwC extrapolou essas forças e chegou a três ambientes distintos de negócios. Esses ambientes, conhecidos como “mundos”, são muitas vezes antagônicos, mas tendem a coexistir pacificamente. Eles determinarão como as pessoas se relacionarão com o trabalho na próxima década, segundo a PwC. Confira abaixo os detalhes:

* Mundo Azul: será o mundo do trabalho típico das grandes corporações. Os profissionais que estiverem inseridos neste ambiente gozarão de um estilo de vida diferenciado – já que essas organizações farão de tudo para retê-los. “Isso levará a uma situação nova: os empregados das megacorporações terão à disposição tudo de que necessitam para o seu bem estar, ao contrário do que ocorrerá com empresas menores, de âmbito local”, explica João Lins. As carreiras serão longas e planejadas. Já os gestores serão cada vez mais pressionados a justificar seus investimentos na área de RH, mostrando claramente o retorno obtido com a adoção de diferentes ferramentas de qualificação, remuneração, etc. As empresas mais avançadas deverão adotar o cargo de Chief People Officer, ou CPO, que terá a responsabilidade de tomar decisões altamente estratégicas relativas à gestão de pessoas.

* Mundo Laranja: será o mundo do trabalho dentro de empresas de pequeno e médio porte. Aqui, o ambiente será bem diferente daquele retratado pela PwC no “Mundo Azul”. As pequenas empresas deverão ser ágeis e extremamente competitivas para enfrentar as grandes. Isso só será possível por meio de uma política de gestão de pessoas baseada na terceirização. Os gestores de RH terão de encontrar meios de atrair talentos para vagas temporárias, existentes somente durante a execução de determinados projetos. Por isso, a tendência é de que as empresas do “Mundo Laranja” sejam dependentes das associações de profissionais e das redes de relacionamento especializadas. “Serão redes formadas por fornecedores confiáveis, que poderão ser acionadas a qualquer momento, com custos reduzidos”, explica Lins, da PwC.

* Mundo Verde: será o mundo resultante das atuais pressões por sustentabilidade e responsabilidade social. As empresas buscarão abordagens mais holísticas para suas políticas de gestão de pessoas. Na guerra pelo talento, elas deverão lançar mão de novas armas, tais como a possibilidade de os funcionários equilibrarem vida pessoal e trabalho ou a oportunidade para planejarem suas carreiras com foco em “recompensa total” – isto é, baseada em objetivos não quantificáveis, como qualificação, saúde, qualidade de vida, etc. “Esse contexto remete a uma forte tendência de os gestores de RH centralizarem o desenvolvimento das políticas e as principais decisões das organizações na área de sustentabilidade e responsabilidade social”, afirma João Lins.


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