Salvador - A China já é a quarta economia mundial, com PIB de US 2,8 trilhões, e a expectativa é de brevemente torne-se a segunda, superando Japão e Alemanha, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O gigante asiático é uma fonte de oportunidades de negócios para o Brasil. "O maior problema é o desconhecimento da realidade chinesa", afirma o diretor do escritório de negócios da empresa BWP na China, Milton Pomar. Há 10 anos naquele País, Pomar destaca a necessidade de o empresariado brasileiro conhecer melhor as peculiaridades chinesas para desenvolver os negócios entre os dois países.
A convite do Sebrae na Bahia, Milton Pomar apresentou nesta terça-feira (7), em Salvador, a palestra 'Bahia e China – atração de investimentos e comércio exterior' para empresários e autoridades baianas no auditório da Instituição. O país comunista, que passou pela revolução liderada por Mao Tsé Tung em 1939, hoje, a partir da abertura econômica iniciada por Deng Xiaoping em 1978, pratica, segundo Pomar, um socialismo de mercado, com um planejamento centralizado pelo governo, mas com liberdade de mercado e distribuição de renda.
"A propriedade privada está assegurada na Constituição", garantiu Milton Pomar, ressaltando que o resultado dessa política de socialismo de mercado foi a saída de 200 milhões de chineses da miséria nos anos 1990. "Em 2000, cerca de 400 milhões dos 1,2 bilhões de habitantes já tinham alcançado padrão de classe média", disse. Segundo ele, a meta para 2010 é de que 500 milhões de chineses façam parte da classe média e os demais habitantes, no mínimo, sejam de classe média baixa.
O planejamento rigoroso das ações tem sido apontado como uma das razões do desenvolvimento do País de características multiétnicas, no qual existem 56 povos diferentes, sendo que 92% da população pertence à etnia Han. Na China são faladas 53 línguas e há 28 escritas. "Essa diversificação resulta em grande riqueza cultural", comenta Pomar. Para facilitar o relacionamento com os estrangeiros, foi criado o idioma 'pinyin', que romanizou a escrita, sendo um chinês mais simplificado.
Desde a abertura econômica iniciada em 1978, a China pulou de 1% de participação no comércio internacional para 8% atualmente, enquanto o Brasil permanece com 1%. Os produtos brasileiros representam apenas 1% das compras externas do país asiático, que tem tem peso de 6% no total das exportações do Brasil. A soja e o ferro são os principais produtos brasileiros comprados pelos chineses.
Pomar chamou atenção para o fato de o Brasil não vender carne bovina nem café para a China, destacando ainda o potencial de comércio da celulose para aquele País. "Podemos aumentar a diversidade e o valor dos produtos que vendemos para lá", disse, ressaltando a vantagem competitiva do Brasil na produção de alimentos, que tem na China um grande mercado.
Há quatro anos divulgando a China no Brasil, Milton Pomar observou que o empresariado brasileiro prefere ficar esperando a chegada dos chineses, enquanto todo o mundo está indo para a China interessado no seu poderoso mercado. Ele revelou ter tido dificuldades em levar empresas brasileiras para uma exposição do Brasil na China. "O chinês só conhece do Brasil o futebol. Precisamos mudar isso", afirmou.
De acordo com ele, a China é o País com maiores reservas cambiais do planeta, cerca de US$ 1 trilhão, e precisa realizar investimentos no exterior sob o risco de desestabilização econômica. "Há interesse em investimentos externos na área de energia e logística, que são justamente setores de grande potencial no Brasil".
Mas, entende Pomar, os empresários brasileiros precisam estar presentes na China, disputando as oportunidades. Segundo ele, a Feira de Cantão deste ano, a maior vitrine do mercado chinês, será aberta para estandes estrangeiros, podendo ser este um primeiro passo para empresas do Brasil.