O crime ainda compensa. Mas não deveria

Competição e ética corporativa não podem caminhar separadas. Essa foi uma das opiniões unânimes entre os palestrantes da Oficina de Inteligência Competitiva promovida pelo Sistema Fiep, nesta quarta-feira (29), em Curitiba. André Franco Montoro Filho, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e ex-presidente do BNDES, defendeu que, mais importante do que as freqüentes manifestações empresariais contra a elevada carga tributária do país, é pedir seriedade no combate à sonegação de impostos. “Quem não paga imposto tem uma injusta e nada ética vantagem competitiva”, argumenta. “Além disso, uma empresa ética que concorre com companhias que agem à margem da lei tem seu faturamento reduzido e está mais suscetível a fechar as portas”, endossa Marcos Turday, diretor da Conformity, consultoria especializada em riscos corporativos. Montoro Filho enumerou o que ele chama de “estimuladores de desvio de conduta”: carga tributária excessiva, burocracia, impunidade e lentidão judiciária. “Recentemente, a manifestação brasileira contra a transgressão [das leis] aumentou”, opinou Montoro em entrevista a AMANHÃ Online. Ele defendeu a nota fiscal eletrônica como uma importante aliada à coibição da sonegação fiscal.

Outro ponto abordado no evento foi a proteção a informações confidenciais da empresa. Segundo Walter Félix Cardoso Júnior, doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares, o cuidado com o resguardo de inovações e de quaisquer tipos de dados de valor estratégico deve estar presente em empresas de todos os portes. “Um extrato bancário jogado no lixo é um risco. Um bandido não é mais o mesmo ignorante de um tempo atrás”, exemplifica. Marcos Turday, da Conformity, também falou sobre os riscos de mercado da concorrência não-ética, como a pirataria e a sonegação fiscal. “Assim que uma prática de concorrência desleal for detectada, a organização deve agir o mais rápido possível para coibir”, conclamou Turday.




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