O futuro é agora

Para não perder mercado, gestores devem estar atentos ao perfil do aluno do futuro e as novas relações nos processos de ensino/aprendizagem. Saiba mais.

Por Lilian Burgardt - Chats, blogs, videoconferências, aulas a distância e muita interatividade são ferramentas que fazem parte do dia-a-dia dos adolescentes de hoje. Jovens que parecem ter nascido em ambiente virtual e, por essa facilidade, vão transformando seu universo em algo muito mais dinâmico e veloz do que no passado.

Porém, o que para muitos trata-se apenas de um comportamento inerente aos jovens do século XXI, retrato da modernidade, tem reflexos mais abrangentes do que se pode imaginar. Chega quebrando antigos paradigmas, inclusive aqueles que, durante muito tempo pareciam indissolúveis, como os velhos modelos da educação, por exemplo, que já dão sinais claros da necessidade por mudança.

Daí, percebe-se a urgência de se trabalhar a educação sob uma nova ótica. "Estamos na era do `tudo agora e ao mesmo tempo´. Ou as instituições se preparam para isso, começando desde já uma reforma que é lenta e exige adaptação, ou vão perder espaço", disse o professor José Manuel Moran, da USP (Universidade de São Paulo), no TEC Education 2005, em São Paulo, evento que discute o novo papel da educação frente à utilização de novas tecnologias em sala de aula.

TI é caminho e não solução
Um dos pontos determinantes para garantir a inserção das instituições no futuro é a utilização da tecnologia. No entanto, embora a utilização da TI pareça a solução, é importante ressaltar que, sozinha, ela também não garante sucesso, e, mais do que isso, se mal utilizada pode gerar grandes revézes para as instituições de ensino. "Tecnologia é o caminho, não é solução. Não basta gastar rios de dinheiro para informatizar uma universidade se não houver planejamento. Antes de tudo, é precisar rever o modelo de gestão e aplicar às mudanças alinhadas à missão da universidade", reforça Elisa Wolynec, diretora da Technes, empresa do setor de informática.

Em sua palestra, na TEC Education, na última quarta-feira, ela ressaltou que são inúmeras as instituições que se queixam de terem investido em tecnologia sem ter obtido retorno. E, por isso, desacreditam no uso da TI, o que para ela se traduz em uma visão bastante equivocada. "A tecnologia funciona como uma alavanca para todo este processo de modificação da educação. Sem dúvida ela abre portas, mas deve ser utilizada como aliada, com consciência. Até porque, sozinha, não será responsável pelo sucesso das instituições", declara.

Sete erros capitas

Desenvolver sistemas internamente
Escolher o mais barato
Comprar gato por lebre
Ser cobaia de fornecedores
Comprar sem ver
Limitar-se à necessidades de momento
Ignorar facilidades de uso

E nem é preciso ir muito longe para observar que, dependendo da gestão, o uso da tecnologia pode ser ao mesmo tempo, mocinho e bandido. Segundo Elisa, entre os erros mais comuns quando se decide apostar na TI, estão a escolha do produto mais barato, a não observação dos custos, entre outros fatores que, a priori, parecem medidas interessantes para economizar, mas que com o tempo podem se tornar verdadeiros pesadelos. "Servir de cobaia para empresas de TI que estão ingressando no mercado, e ainda, apostar na criação de sistemas elaborados internamente são erros clássicos que dão muita dor de cabeça", ressaltou.

O primeiro porque faz da universidade um laboratório de experimentação sujeito à falhas que podem prejudicar toda sua estrutura. "Há algum tempo um centro universitário decidiu apostar nesta medida. O resultado foi manchete dos principais jornais. Alunos ficavam até quatro horas na fila para conseguir pagar a mensalidade", lamentou. O segundo caso, que compromete a instituição é quando se decide fazer sistemas internamente, os gestores de tecnologia acabam ficando nas mãos de sua equipe que irá deter o conhecimento. "Amanhã ou depois caso eles resolvam sair da instituição ninguém sabe como funciona o sistema, já que o manual não existe", destacou.

Outra problema resultado da utilização desta "estratégia" é que, as mudanças nos processos são evitadas. "Se perde um tempo enorme reiventando a roda quando estão disponíveis no mercado plataformas que podem atender às necessidades das IES", disse. "Este é o comportamento típico de quem não analisa custos. Comportamento fruto da época em que o Brasil vivia a inflação e era impossível calcular. Hoje, no entanto, não vivemos neste cenário. Sendo assim, isto é fundamental", destacou.

Ainda fazem parte da coleção de erros investir em uma solução em curto prazo sem olhar para o futuro. "Algo que hoje é perfeito, amanhã pode não resolver. E aí, adaptar sistemas é muito mais difícil", disse. Portanto, antes de sair por aí comprando softwares é necessário avaliar o quadro da sua instituição e como e quanto ela irá crescer nos próximos anos. "Assim é possível traçar estratégias em longo prazo que consigam atender às mais diferentes necessidades". Além disso, comprar um sistema sem testá-lo antes e colher depoimentos de outros clientes que já o utilizam também são erros comuns. "Investir às cegas quase sempre traz problemas. Para garantir, o melhor mesmo é conhecer a fundo o produto e fornecedor", acrescentou.

Parceria com professores
Quem está atento a este processo de mudança, certamente sabe que o tempo é curto. Os adolescentes de hoje são os jovens que daqui há alguns anos irão transpôr as portas das universidades e, certamente, exigirão muito mais do que as instituições, hoje, estão preparadas para oferecer. Os alunos do futuro, muito mais do que uma aula expositiva, ou tecnologia de ponta, irão cobrar professores engajados com novas metodologias e universidades inseridas em um novo modelo de ensino/aprendizagem.

Neste caso, além de apostar em novas tecnologias, deve-se, também, investir na capacitação do corpo docente. "Não adianta dispôr de recursos como datashow e outros equipamentos se o professor fica dependente destes instrumentos para dar aulas. "O que é preciso fazer é injetar ânimo e criatividade, apostar na troca de informações entre os docentes para que o processo de ensino se torne mais dinâmico e atenda às necessidades", disse o o professor Moran, da USP.

Além disso, a instituição deve funcionar como parceira dos docentes, ouvir o que eles têm a dizer, afinal de contas, são eles quem têm mais contato com os alunos e, por conseqüência, frente a frente com as problemáticas nas salas de aula. "Não adianta exigir integração entre os professores se a universidade não cria meios para isso. Apostar em integração curricular para melhorar o desempenho em sala de aula só é possível com ajuda da instituição", reforçou Moran.

Outro ponto importante é investir no potencial do corpo docente. Valorizar suas idéias e, se possível, estimular o empreendedorismo. "Só através do estímulo à criatividade e à novas ações que envolvam os processos de ensino/aprendizagem será possível sair de uma situação de inércia, tanto por parte dos mestres acostumados com a rotina das aulas expositivas como por parte dos alunos", encerrou.





Compartilhe



Mais notícias

Leia mais notícias

Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





apoio AngradHightechADM Shop
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.