O início do fim da Nova Economia

O início do fim daquilo que se convencionou chamar de Nova Economia aconteceu há exatos quatro anos, em 10 de março de 2000. Naquele dia, o índice Nasdaq, bolsa eletrônica que foi a coqueluche das empresas pontocom e de tecnologia, atingiu o patamar de 5.048 pontos, o maior de sua história.

A partir desse momento, uma série de eventos colaboraram para enterrar a “euforia exuberante e irracional”, criticada pelo presidente da Fed dos Estados Unidos, Alan Greenspan, como a decisão parcial de dividir a Microsoft em duas empresas, no longo processo antitrustre que a empresa sofreu do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), ou a desaceleração da economia norte-americana, que não teve um pouso suave, de acordo com as previsões dos analistas econômicos.

Atualmente, a Nasdaq sustenta-se com um índice próximos dos 2 mil pontos (coincidentemente, opera hoje acima dos 2 mil pontos), mas já chegou quase a mil ao longo de 2002, quando o fundo do poço pôde definitivamente ser vislumbrado.

Entender o que aconteceu nesses quatro anos, é aprender a cronologia de uma breve era que deixou marcas indeléveis no mundo dos negócios.

A Nova Economia nasceu em 09 de agosto de 1995, quando a Netscape (vocês ainda se lembram dela?), uma pequena empresa de apenas 16 meses, fez sua oferta inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) na Nasdaq. As ações saltaram, no primeiro dia, de 28 dólares para 71 dólares, uma valorização de 153%. Marc Andreessen e Jim Clark, seus fundadores, viraram milionários da noite para o dia.

Missão IPO

Uma das essências da Nova Economia foi o volume de capital de risco usado para financiar novas empresas. O dinheiro irrigava novos projetos, muitos deles irreais, sem um plano de negócios, mas cujo objetivo era realizar um IPO, aproveitando-se da voracidade dos investidores e da alta valorização que conseguiam na Nasdaq.

Em 1998, de acordo com estatísticas da VentureEconomics, empresa que pesquisa os investimentos de venture capital nos Estados Unidos, esses fundos investiram pouco mais de US$ 20 bilhões. Em 2000, o auge da bolha pontocom, os gastos ultrapassaram os US$ 100 bilhões, boa parte deles para projetos de internet, a coqueluche dos investidores. Em 2003, retornaram ao patamar de 1998.

Foi com este “dinheiro fácil” que a maioria dos negócios pontocom nasceram, floresceram e morreram. Mas os ícones dessa era, como a Amazon, o eBay e o Yahoo!, não só sobreviveram, como montaram operações sólidas e rentáveis.

No Brasil, Submarino e Americanas.com, os dois principais negócios do comércio eletrônico atualmente são operações saudáveis e lucrativas.

Em sua edição de março, a revista norte-americana Fast Company, uma das publicações que floresceram durante o auge das empresas de internet e que sobreviveram ao seu débâcle, publicou reportagem de capa que analisa o que aprendemos com a Nova Economia.

Entre os muitos modismos da época, e os exageros de uma época de euforia, que decretava o fim da Velha Economia, as empresas de tijolo e cimento, consideradas mamutes pesados e incapazes de se adaptaram a nova era, a publicação conclui que a Nova Economia gerou um novo ciclo no mundo dos negócios e ajudou no aumento da produtividade da economia norte-americana.

A verdade é que depois que os funerais da Nova Economia acabaram, houve espaço para analistas menos irracionais e sem o calor da hora. E a conclusão é que o e-business (que pode ser traduzido como negócios eletrônicos), não só deu certo, como trouxe uma série de benefícios reais às empresas, sejam elas da Nova ou Velha, essa distinção pouco importa.

E deu certo porque:

reduz custos: empresas que levaram seus antigos processos para o mundo eletrônico estão fazendo-os mais rapidamente e com custos menores;

é mais um canal: sim, ao contrário da época em que os consultores mandavam as empresas do mundo físico se canibalizarem, a regra, agora, é integra-se. Quem investiu na web construiu mais um canal de vendas, que não concorre com o tradicional;

seu quintal pode ser o mundo: sua empresa pode vender para qualquer lugar do planeta sem estar fisicamente na maioria deles, com o mesmo nível de serviço se estivesse;

melhora o atendimento ao cliente: a web, para um grupo de consumidores que em geral são os de maior poder aquisitivo, é um canal conveniente para resolver os problemas. Muitas vezes este contato online é mais barato do que outros meios, como o telefone;

E, por fim, em alguns setores, é a diferença entre a vida e a morte: determinadas áreas estão sofrendo o impacto da digitalização dos negócios que a única alternativa é engatar-se no trem do e-business sob o risco de, se não o fizer, ficar ultrapassado perante as transformações do mercado.
Em 2003, a Nasdaq valorizou-se 50%, o melhor desempenho porcentual desde 1998. Neste ano, o Google, uma das principais empresas de internet dos Estados Unidos, deve fazer sua oferta inicial de ações na Nasdaq. Os analistas estimam que ele gere uma capitalização do mercado de mais de US$ 25 bilhões. Os velhos novos bons tempos estão de volta?




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Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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