O milagre da multiplicação dos shoppings

O mercado brasileiro de shopping-centers, que já vem aquecido há algum tempo, não dá nenhum sinal de arrefecimento. Pelo contrário: tende até a ganhar novo impulso com a entrada crescente de capital estrangeiro no setor. 

A Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) estima em 16 os novos empreendimentos a serem levantados até o final do ano - fora os que estão sendo ampliados. Os novos centros comerciais serão somados aos 351 que já funcionam a pleno vapor. No ano passado, juntos, eles faturaram R$ 58 bilhões. Para 2008, a estimativa é chegar aos R$ 60 bilhões. O recente aquecimento do setor está atrelado a vários fatores - entre eles, a estabilidade econômica brasileira, a alta na demanda por produtos de luxo e o salto no poder de compra da classe C. "Tudo conspira a favor, e isso tem transformado o Brasil num foco para investidores estrangeiros", diz Mariana Carvalho, diretora de marketing da Ancar. A empresa é a responsável pela gestão de 15 dos maiores shoppings do país - sendo, inclusive, proprietária de nove deles. O mais recente investimento da Ancar foi a aquisição das quatro unidades da São Marcos Empreendimentos – braço de varejo das Organizações Globo, na Região Sudeste. 

O caso da Ancar é um bom exemplo das oportunidades geradas por capital externo. Desde 2006, a companhia trabalha em parceria com a Ivanhoe Cambridge, subsidiária da Caisse de Dépôt et Placement du Quebec – maior gestora de fundos institucionais do Canadá, com atuação nas Américas, Europa e Ásia. As empresas anunciaram para outubro próximo a abertura do primeiro shopping center de Porto Velho (RO), cidade que ainda não tinha empreendimento deste tipo. O investimento chega aos R$ 80 milhões. Além de construir novos shoppings e comprar ativos, a Ancar/Ivanhoe aposta em expandir áreas e agregar valor às unidades gerenciadas, como o Shopping Iguatemi de Porto Alegre, que brevemente deverá abrigar uma centena de novas lojas e outras novidades, como uma torre de escritórios comerciais. 

Mas não é só o Brasil que passa por uma fase áurea no setor. “O mesmo está acontecendo em outros países emergentes, como China e Índia”, diz Mariana. A constatação deixa evidentes as necessidades contemporâneas dos consumidores, independentemente de onde eles vivem, da moda que seguem ou do idioma que falam. “O shopping center cumpre uma função importante nas vidas das pessoas. É um produto da desorganização das cidades, do caos urbano, das más condições de trânsito, segurança, conforto, etc.”, diz Mariana.


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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

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A economia não irá se recuperar em 2009.





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