O momento é agora - Expomanagement 2007

Tachibana Zen / Lola Studio
“Ainda dá tempo de recuperar um desenvolvimento robusto no Brasil”, apostou o economista Antônio Delfim Netto em sua palestra “Enfim, o Crescimento”, realizada no terceiro dia e último dia da ExpoManagement 2007, evento promovido pela HSM. “Depende apenas de nós”, disse ele, ao elucidar uma cronologia de fatos que, aos seus olhos, justificam o ritmo de crescimento brasileiro nos últimos anos.

Delfim Netto comentou que o último incremento robusto do PIB nacional aconteceu nos anos de 1993 e 1994, quando o Brasil cresceu perto de 6% ao ano. Em sua opinião, a inexpressividade da curva que antecedeu e sucedeu esse período teve entre suas justificativas a elevação da carga tributária, que saltou de 24% -entre o período de 1967 e 1974- para 32% em 2002 e 37% em 2007. “O problema é que os investimentos do governo em obras de infra-estrutura, como Itaipu, saíram de 4% e chegaram a 2% no período”, expôs. “O governo recolhe muito, devolve pouco e a qualidade dos serviços ofertados é muito ruim”, avaliou ele, ao estimar que o PIB deste ano será de R$ 2,5 trilhões.

Carga tributária - O profissional disse entender que a carga tributária só pode ser excessiva quando comparada a uma qualidade que a justifique. Não é o que tem acontecido. Em um ranking estabelecido em 2005 entre 155 países, o Brasil está na 119ª posição. “O País precisa, então, elevar sua eficiência ou baixar sua carga”, concluiu ele, ao proferir que a taxa de juros é elevada porque o governo “expulsou” o setor privado do mercado.

Condicionado ao crescimento, força de trabalho, estoque de capital, entre outros, o desenvolvimento, Delfim Netto disse que o crescimento acontece quando uma empresa acredita em uma demanda no futuro e assume, naquele momento, o risco do investimento. Entre 1950 e 1984, o PIB cresceu 6,5% ao ano e a população 2,7%, ou seja, o PIB per capita no período foi de 3,7%. Entre 1985 e 2006, o PIB avançou 2,8% e a população 1,7%, fazendo com que o PIB per capita recuasse para 1%.

Para 2007, no entanto, o economista apostou em resultados mais satisfatórios em razão das promessas alardeadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bandeira do segundo mandato do governo Lula. Ele estima crescimento de 5% para o PIB; 1,3% para a população e incremento de 3,7% per capita. “É com base nessa estimativa que acredito na retomada do crescimento robusto”, anunciou com otimismo. “Temos condições de alavancar esse crescimento, mas precisamos continuar exigindo que o governo cumpra o seu papel e ofereça a mesma qualidade de serviços e infra-estrutura que competidores como China e Coréia possuem”, salientou. “E não é só isso, precisamos de condições isonômicas na carga tributária, na taxa de juros real e taxa de câmbio”, completou.

Competição mundial
- Para justificar seu pleito em prol de condições semelhantes entre os competidores mundiais, Delfim Netto elucidou que a participação brasileira nas exportações, entre 1983 e 1985, era semelhante à da China e da Coréia, algo próximo a 1,3%. Em 2002, no entanto caiu para 0,9%, enquanto a participação da Coréia subiu para 2,4% e a da China para 3,1%.

Em 2006, os índices brasileiros chegaram a 1,2%, mas os coreanos também cresceram 2,7%, enquanto os chineses praticamente explodiram, atingindo a marca de 8,1%. “O nome do novo jogo é competição. Quem ficar parado vai ser atropelado”, definiu.

O conferencista disse ainda acreditar que o pequeno crescimento brasileiro nos últimos anos esteve muito mais atrelado à conjuntura internacional do que aos nossos defeitos. “Outros países em vias de desenvolvimento enfrentaram problemas de igual ou maior magnitude. No entanto, combateram a inflação e voltaram a crescer”, disse.

Faça o download da palestra apresentada por Delfim Netto na ExpoManagement 2007
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Fonte: Portal HSM On-line


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