O próximo passo da auto-estima. (“Self esteem first Self transcendence later”)

Um conceito mudou a minha vida no último semestre da pós-graduação que concluí em 2005. A professora Liliane Casagrande Sabbag, mestre em administração de empresas e professora da Pós Graduação da Universidade Padre João Bagozzi, abordava diversos temas sobre os novos modelos de gestão. Mas, o que me marcou completamente foi uma abordagem sobre as necessidades da Pirâmide de Maslow. Eu já conhecia esse assunto, desde a época da faculdade. Maslow, um importante psicólogo americano, explica o que motiva o indivíduo a agir. Ou seja, o que energiza, dirige e sustenta o comportamento do ser humano. Para ele, o comportamento é motivado por necessidades que nomeou como fundamentais baseadas em dois agrupamentos: deficiência e crescimento. As necessidades de deficiência são as fisiológicas, as de segurança, de afeto e as de estima. Enquanto que as necessidades de crescimento são relacionadas ao autodesenvolvimento e a auto-realização dos seres humanos (HUITT,1998).


Minha preocupação era saber que, por estar longe da minha “auto-realização” (topo da pirâmide), mas com a necessidade de crescimento à flor da pele, a minha “auto-estima” (degrau abaixo) estava sendo afetada. Eu tinha muito para crescer ainda para conseguir meu lugar ao sol. Estava sofrendo por isso. Até onde eu teria que trabalhar a auto-estima para me realizar? Não fazia muito sentido. A necessidade de auto-realização revela uma tendência de todo ser humano em realizar, de forma plena, o seu potencial. “Essa tendência pode ser expressa como o desejo de a pessoa tornar-se sempre mais do que é e de vir a ser tudo o que pode ser” (Maslow, 1975:352).


Ao compartilhar essa dificuldade, a professora comentou: - Há uma evolução na pirâmide das necessidades de Maslow: entre as necessidades de auto-estima e a de auto-realização existe uma outra: a “necessidade Cognitiva”. Mais do que rapidamente mergulhei na explicação. Descobrir onde é que eu me encontrava naquela pirâmide seria o que salvaria a minha “auto-estima”, em processo de sofrimento.


Enfim, além da auto-realização, posteriormente, Maslow acrescentou à sua teoria, o desejo de todo ser humano de saber e de ajudar os outros a realizar seu potencial. Segundo ele, há uma necessidade natural nossa de buscar o sentido das coisas para organizar o mundo em que vive. São necessidades denominadas cognitivas e incluem os desejos de saber e de compreender, sistematizar, organizar, analisar e procurar relações e sentidos. Tal necessidade viria antes da auto-realização.


Quando ouvi isso, tudo se encaixou. Onde estou, para onde vou, do que preciso, por que estudo e quem sou eu? É realmente a fase de organizar o mundo em que vivo. Muitas pessoas não devem ter reparado que esse conflito está acontecendo. Esta aula marcou a todos os alunos, pois colocou muitos de nós em algum lugar que existia, mesmo sendo desconhecido.


Às vezes é necessário parar de se preocupar tanto com o futuro e passar a correr do passado, a priori! Por qual motivo sempre temos que achar o lugar onde estamos? Que tipo de necessidade seria essa? O referencial comparativo também nos é importante. Não o fato de nos compararmos as outras pessoas, mas o fato de fazermos isso conosco mesmo, ontem e agora: hoje. Esse é o fundamental. Estarmos estagnados na zona de conforto deve nos incomodar de forma insuportável! Esta é a necessidade cognitiva!


A necessidade de ajudar os outros a se auto-desenvolverem, a que Maslow deu o nome de transcendente – viria posteriormente à auto-realização (Huitt, 1998).


Outra parada complexa dos alunos. A necessidade constante de aprendizado nos leva a auto-realização e a auto-realização nos leva a transcendência, necessidade esta, de compartilhar o que essa maravilhosa vida nos proporciona. Estendendo essa reflexão para a vida pessoal e para a vida profissional, muitas coisas podem ficar mais claras.



Será que as organizações atualmente conseguem diagnosticar as necessidades das suas equipes? Conseguem entender que a necessidade cognitiva precisa ser retro alimentada? Os líderes se preocupam com a auto-estima de seu pessoal?



Os profissionais devem compreender que as próprias limitações não são ameaças e sim verdadeiros tesouros para o autodesenvolvimento e capacitação. Estar ordenando as nossas lutas diárias e buscando o crescimento é o que faz a necessidade cognitiva ser o fator merecedor da auto-realização. Portanto, é correr da “baixa auto-estima” para acreditarmos constantemente em nosso potencial, refletirmos e validarmos nossos valores primordiais, nossas missões pessoais e nossas buscas profissionais.



É necessário sofrer sim. O sofrimento nos faz refletir para aprender. Mas cuidar da auto-estima tem agora um grande “como” para ajudar a todos: Trabalhar muito, estudar muito, criticar muito e fazer de tudo um pouco. Enfim: não parar! Administrar e organizar tudo isso não é fácil, mas não olhe para trás, senão a auto-estima te pega!



Considero que essas duas necessidades de crescimento: a cognitiva e a de transcendência é a zona de desafio constante. A auto-realização? É um mero degrau ao topo da pirâmide!



A palavra cognição tem origem nos escritos de Platão e Aristóteles. É o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. A cognição é mais do que simplesmente a aquisição de conhecimento e consequentemente, a nossa melhor adaptação ao meio - mas é também um mecanismo de conversão do que é captado para o nosso modo de ser interno. Ela é um processo pelo qual o ser humano interage com os seus semelhantes e com o meio em que vive, sem perder a sua identidade existencial (Wikipédia).



Eu vou bem me adaptando e aceitando o processo da cognição. E você? Chegou a hora?



MASLOW, A.H. (1975) Uma Teoria da Motivação Humana. In: BALCÃO, Y.: CORDEIRO,L.L. (org). O comportamento humano na empresa (p. 337/366). Rio de Janeiro: FGV

HUITT, W. G. (1998). Maslow’s hierarchy of needs, obtida via internet.
http://chiron.valdosta.edu/whuitt/col/regsys/maslow.htm.

DYER, Dr. Wayne (2006). Artigo obtido via internet.
http://www.soulkadee.com/2006/09/19/self-esteem-first-self-transcendence-later.

Wikipédia cita: GODOY, Adriano - Matriz: a arte de controlar reações e ser uma pessoa eficaz (setembro de 2006) Vivali Editora Eletrônica Ltda.




* Michelle Raimundo dos Santos é Coordenadora de Treinamentos da Gauss Consultores Associados Ltda., empresa de consultoria instrumental e assessoria especializada em gestão organizacional. Pós Graduada em Administração Estratégica de Pessoas, graduada em Tecnologia da Qualidade, Consultora, Auditora Lííder em ISO 9001:2000 e Presidente do movimento social informal Galera do Bem. Site: http://michellersantos.blogspot.com.


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