Obras da Petrobras ampliam mercado para pequena empresa

Os grandes empreendimentos previstos pela Petrobras para os próximos cinco anos no Paraná são uma opção de crescimento econômico para as micro e pequenas empresas de bens e serviços instaladas no Estado. De olho no canteiro de obras que se desenha, representantes do Sebrae no Paraná e Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) firmaram parceria que possibilita a transformação de empresários de pequenos negócios em fornecedores de segunda geração da estatal.

A idéia da parceria, que também é desenvolvida em outros estados brasileiros como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, é mapear a cadeia produtiva de petróleo e gás, identificar oportunidades de novos negócios e viabilizar a participação de micro e pequenas empresas como fornecedoras desses grandes empreendimentos. Nos próximos cinco anos, a Petrobras deve investir US$ 2,5 bilhões em obras nas unidades de produção e refino localizadas no Paraná.

O Programa da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás do Paraná, como vem sendo chamado no Estado, engloba obras em estudo e obras já autorizadas pela Petrobras na Repar, em Araucária; na Unidade de Negócio da Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul; e nas filiais da Transpetro em Paranaguá e São Francisco do Sul (Santa Catarina).

Nesta terça-feira (24), representantes do Sebrae e da Petrobras têm encontro marcado com empresários que já manifestaram interesse em se tornar futuros fornecedores. O coordenador de Articulação com os Cadastros Regionais da Petrobras, José Luiz de Oliveira Reis, vai falar sobre requisitos exigidos pela empresa de suas fornecedoras. A palestra ‘Como se tornar um fornecedor da Petrobras’ começa às 19h, no auditório do Sebrae em Curitiba. Serão esclarecidas eventuais dúvidas que os empresários tenham sobre o Certificado de Registro e Classificação Cadastral da Petrobras (CRCC). Para se tornar fornecedor da Petrobras são exigidas certificações, inclusive ambientais.

Setor em ascensão

O setor de petróleo e gás é um dos mais dinâmicos no País. Responde por cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o programa, municípios, estados e regiões onde a presença da atividade é forte obtêm taxas de crescimento mais elevadas. A Petrobras é o principal agente da cadeia e a forma de organização do mercado e o próprio porte da empresa fazem com que ela determine o funcionamento do segmento. No caso do Paraná, a participação de micro e pequenas empresas paranaenses nos empreendimentos da Petrobras ainda é tímida.

"Essa parceria é importante para as micro e pequenas empresas no Estado. O setor de petróleo e gás é um dos que vai mais recebe investimentos no Brasil. E isso vai movimentar toda a cadeia produtiva", aposta o diretor-técnico do Sebrae no Paraná, Allan Costa. Segundo o diretor, o programa desenvolvido com a Petrobras deve provocar um "efeito cascata em subcontratações", o que vai beneficiar diretamente as micro e pequenas empresas paranaenses. Para Allan Costa, o projeto é uma oportunidade para gerar mais renda e receita e também evitar que empresas de fora ocupem o espaço de empresas paranaenses.

Para o gerente de Suporte Operacional da Repar, James Hahnemann, não se pode perder uma possibilidade como essa de alavancar negócios e abrir espaço para empresas localizadas no Paraná. "É uma grande oportunidade também para as grandes empresas (que já são fornecedoras de primeira geração da Petrobras) otimizarem seus resultados. Com a participação das micro e pequenas empresas em toda a cadeia, as grandes empresas poderão reduzir custos, contando inclusive com uma logística local. Todo mundo ganha com essa parceria. Ter o fornecedor próximo facilita muito para as empresas de grande porte que vão comandar as obras."

Nichos a explorar

As oportunidades para micro e pequenas empresas estão, de acordo com o projeto, no fornecimento de produtos e serviços para agentes da cadeia; em atividades decorrentes do efeito renda, como hotéis; e no aproveitamento de espaços mercadológicos abertos pelas atividades da cadeia, como, por exemplo, representações comerciais.

Alguns nichos e atividades previamente levantados e que podem abrir espaço para pequenas empresas: terraplenagem; equipamentos, tubulação, solda, estrutura metálica, montagem, desenhistas temporários, mão-de-obra temporária, hospedagens, lanches, salão de beleza, academias, táxis, locação de veículos, coleta de lixo, vigilância, limpeza industrial, laboratórios bioquímicos, farmácias.

O mapeamento das oportunidades ainda não está concluído e deve ser divulgado no fim de maio, informa o consultor do Sebrae no Paraná, Pedro Cesar Rychuv Santos. Segundo o consultor, as micro e pequenas empresas interessadas em virar fornecedoras de segunda geração da Petrobras terão as orientações do Sebrae, num programa de competitividade que abrange gerenciamento, marketing, finanças, dentre outros.

Canteiro de obras

Existem pelo menos três grandes empreedimentos em andamento na Repar, que podem abrir espaço para as micro e pequenas empresas. Um deles é o início da construção, neste ano, de um Complexo Diesel e Coque, para o refino de petróleos mais pesados, com redução nos teores de enxofre. Cerca de 7 mil empregos serão ofertados durante a obra, cuja previsão é para entrar em funcionamento em até junho de 2010. A estimativa da Petrobras é que o Complexo gere US$ 96 milhões em impostos ao ano, sendo US$ 6 milhões só em Imposto Sobre Serviços (ISS).

O outro grande empreendimento da Petrobras na Repar começa em junho próximo. Tratá-se do Complexo Gasolina, para a produção de gasolina com baixos teores de enxofre, com vistas à exportação para países do Primeiro Mundo. A obra deve gerar US$ 32 milhões em impostos, dos quais US$ 2 milhões em ISS, pelos cálculos da Petrobras. O Complexo, que deve entrar em operação em agosto de 2009, vai abrir 3,3 mil postos de trabalho durante as obras.

Nos planos da Petrobras, está também a produção de propeno para indústrias petroquímicas. As obras que começam em outubro deste ano, devem estar concluídas em dezembro de 2008, e vão absorver mil trabalhadores. Quando estiver em funcionamento, deve gerar US$ 31,5 milhões em impostos, US$ 1,5 milhão em ISS.





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