Oi prevê amortizar R$ 2,7 bilhões em ágio pela compra da Brasil Telecom

A Oi calcula em algo como R$ 2,7 bilhões o ágio que poderá amortizar com a compra da Brasil Telecom, anunciada em 25 de abril deste ano, ao longo de 10 anos.

O cálculo foi informado nesta sexta-feira por Roberto Terziani, diretor de relações com investidores da Oi, em encontro com analistas de mercado.

Segundo ele, a empresa calcula que, em toda a operação, que envolve a compra do bloco de controle e as ofertas pelas ações ordinárias e preferenciais em circulação, a diferença entre o montante pago e o valor patrimonial da companhia será "da ordem de R$ 9 bilhões".

Por isso, afirmou que a empresa espera uma despesa de amortização de R$ 2,7 bilhões ao longo de 10 anos, ou cerca de R$ 270 milhões por ano, "o que é uma redução de impostos importante".

Além disso, Terziani afirmou que, juntas, a Oi e a Brasil Telecom "poderão ter uma estrutura de capital mais eficiente" com maior nível de alavancagem em relação ao que possuem hoje.

Ele explicou que a Oi ainda não pode entrar na Brasil Telecom para fazer uma auditoria (due dilligence) porque o atual Plano Geral de Outorgas (PGO) proíbe o negócio, mas ele citou, entre os benefícios da possível fusão, "maior poder de negociação com fornecedores e agências de publicidade", além de ganhos de escala e sinergias.

Segundo ele, as duas empresas "vão analisar quais as melhores práticas em cada companhia" e escolhê-la para a companhia que surgirá da combinação.

Na telefonia móvel, por exemplo, a Oi acredita ter uma estratégia melhor, já que controla algo como 35% de sua área de atuação, enquanto a Brasil Telecom, na sua região, "detém 14%", de acordo com Terziani.

"Já na banda larga, eles (BrT) têm estratégia melhor", opinou o executivo.

Possibilidade remota

A Oi acredita que as alterações na atual regulamentação que lhe permitam incorporar a Brasil Telecom saiam "entre o final de novembro e o início de dezembro", antes, portanto, do prazo previsto no contrato assinado em abril.

Naquela data, a empresa acertou com os sócios da Brasil Telecom que, se a alteração não saísse até 19 de dezembro, pagaria uma multa de R$ 490 milhões.

Terziani afirmou que "é muito, muito remota" a possibilidade de que a Anatel não encaminhe a proposta de um novo PGO para o ministério. Este, por sua vez, deverá encaminhá-lo à Casa Civil porque só um decreto presidencial pode criar um novo PGO.

A agência realizou consulta pública sobre a proposta de PGO e recebeu mais de 400 sugestões até o dia 1º de agosto. Ela deverá analisar todas elas e aprovar um texto final junto ao seu conselho diretor para encaminhar o documento à pasta das Comunicações.

Terziani lembrou que há duas condições para que o prazo previsto no contrato, de 240 dias, seja estendido para 365 dias.

Uma delas é se a Anatel colocar alguma condição para dar sua anuência ao negócio e a outra é se alguma ação na Justiça tentar impedir a transação.


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