Onde estão os seus acionistas?

Conquistar um grande número de investidores é o objetivo de qualquer companhia aberta, certo? Mas há casos em que o grande número de acionistas também gera um inconveniente: a dificuldade em convencê-los de que é preciso participar das assembléias. Além de aportar capital na empresa, os investidores também contam com o direito de opinar nas decisões – mas poucos exercem essa função, explica Roberto Lamb, professor de finanças da Escola de Administração da UFRGS. “Se a empresa vai bem e os acionistas estão satisfeitos, eles acreditam que não há necessidade de participar”, aponta ele. “É como uma reunião de condomínio: as pessoas só aparecem quando existe algum problema”.

A Lojas Renner, que conta com mais de 1.500 acionistas, acaba de passar por esse tipo de dificuldade. Nesta terça-feira, a Assembléia Geral da empresa, que havia sido marcada para as 11 horas da manhã, acabou sendo cancelada por falta de quórum – uma nova assembléia foi agendada para o dia 03 de outubro. No caso da rede varejista, reunir os acionistas é um desafio ainda mais complexo, pois a empresa segue o modelo de “corporação” – composição societária com capital totalmente pulverizado, no qual não há um controlador majoritário. “Há o agravante de que mais de 80% dos investidores são de fora do país”, completa Lamb. Conseqüentemente, diz ele, os assuntos que precisam ser decididos obrigatoriamente em assembléia demoram mais para chegarem a um ponto-final. Na reunião desta terça, por exemplo, a Lojas Renner pretendia votar um “desdobramento de ações” para dar mais liquidez aos próprios acionistas. Cada ação ordinária da companhia passaria a corresponder a cinco ações. A decisão, no entanto, foi adiada para outubro.

Raras no Brasil, as empresas de capital pulverizado são comuns em outros países. “Esse modelo é muito utilizado nos Estados Unidos, e lá também é recorrente o distanciamento dos acionistas”, destaca Lamb. Segundo o professor da UFRGS, esse problema só não é mais freqüente no Brasil porque a maioria das empresas possui um grupo controlador, inclusive aquelas que dão direito de voto a todos os seus acionistas – como as listadas no Novo Mercado da Bovespa. Lamb revela que os norte-americanos já descobriram uma forma de evitar o adiamento das assembléias. “Os acionistas que querem atuar na gestão da empresa obtêm procuração dos outros investidores para votar por eles”, explica.





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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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