A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou ontem um acordo para cortar a produção de petróleo em 520 mil barris/dia, como parte de um movimento mais amplo para baixar suas metas de produção oficiais em uma tentativa de controlar o que o cartel considera um excedente de petróleo nos mercados globais. O novo teto oficial de produção é de 28,8 milhões de barris/dia, de 29,67 milhões anteriormente.
O novo teto indica um corte de 870 mil barris por dia, que seria quase inteiramente feito pela Indonésia. O país asiático suspendeu sua adesão à Opep e não está mais no sistema de cotas. Isso sugere que a decisão exclui do mercado essa produção adicional, na prática revertendo dois aumentos de produção feitos pela Arábia Saudita no começo deste ano.
A medida surpreendente representa um esforço da Opep, que atende cerca de 40% das necessidades mundiais de petróleo, para demonstrar alguma contenção e buscar retornar às suas próprias metas de produção auto-impostas. A Organização estima estar produzindo atualmente cerca de 600 mil barris/dia acima dessas cotas.
"Não acho que isso afetará os consumidores de nenhuma forma", disse o presidente da Opep, Chakib Khelil. Ele acrescentou que ainda espera uma queda nos preços do petróleo. "Acima de tudo há o excesso de oferta", afirmou. "Os estoques de petróleo estão muito elevados; nós teremos pressão até o fim deste ano e será ainda pior no começo do ano que vem."
Os preços do petróleo, que na terça-feira chegaram ao nível mais baixo em cinco meses, saíram de suas mínimas depois da decisão da Opep. Às 23h22 (de Brasília), os contratos futuros de referência na New York Mercantile Exchange (Nymex) subiam US$ 0,87, a US$ 104,13 o barril na negociação eletrônica asiática.