Opinião: "Sem microcrédito, microsseguro não se desenvolverá efetivamente"

De acordo com o vice-presidente executivo da seguradora boliviana La Vitalicia, Alfonso Ibanez Montes, "se não houver microcrédito, o microsseguro não vai se desenvolver de forma efetiva no Brasil".

Durante o Seminário Internacional Vida & Previdência - O corretor de seguros no novo milênio, organizado pela Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), Montes afirmou que, nos países de implementação mais bem-sucedida do microsseguro, a evolução foi precedida pelo firme crescimento do microcrédito.

Experiência

O vice-presidente da La Vitalicia também lembrou que a microfinança enfrentou percalços em seu país, já que as instituições bancárias, inicialmente, torceram o nariz para estas operações.

Segundo o especialista, no fim dos anos 90, quando de sua implementação na América Latina, Índia e Ásia, coube às ONGs (Organizações Não-Governamentais) que repassavam recursos para a população mais pobre manter a chama acesa do microcrédito.

"Na Bolívia, apenas 6% das operações de empréstimos provinham do microcrédito em 1999, ao passo que 84% vinham das linhas tradicionais das instituições bancárias. O temor da inadimplência era o principal argumento dos bancos para permanecerem distantes do microcrédito", expôs.

Expansão do microsseguro

Conforme divulgou a Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização), Montes assinalou ainda que uma população de renda baixa numerosa é outro requisito para a marcha de expansão do microsseguro.

Para ele, debaixo do guarda-chuva da desigualdade social, o microcrédito e, em seu rastro, o microsseguro, encontram um terreno fértil para o avanço. Na Bolívia, por exemplo, 90 mil pessoas já estão amparadas pelo microsseguro.

No entanto, o executivo pondera que os produtos para a renda mais baixa estão longe de atingir a massificação. A seu ver, um dos fatores que minam a explosão da demanda são os elevados custos comerciais e administrativos do microcrédito.


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