Opte pelos títulos públicos para se proteger dos efeitos de crises

Há quem diga que o ouro é o último refúgio para o dinheiro. Ou que os imóveis são capazes de preservar valor. Ou ainda que aplicar em moedas estrangeiras é a saída para escapar da inflação. Não que estas premissas estejam erradas, mas atualmente o porto seguro para as economias do pequeno investidor brasileiro, na opinião dos analistas, é bem outro. Em tempos de incerteza e dúvida sobre os desdobramentos da crise de crédito originada nos Estados Unidos, “os títulos públicos brasileiros são o melhor investimento do universo”, avalia o economista da LCA Consultores, Celso Toledo.

 

Vistos pelos analistas como a “bola da vez”, os títulos agregam características dificilmente encontradas juntas em outros investimentos historicamente considerados seguros. “São sólidos, possuem liquidez e rentabilidade. É todo o necessário”, destaca o sócio da consultoria Beta Advisors, Rogério Betti. E como a capacidade de pagamento do País não está em questão – como já esteve em diversos outros momentos da história – os títulos são fortemente indicados aos investidores assustados com os problemas norte-americanos.

 

A liquidez (grau de facilidade de conversão em dinheiro vivo) é uma das características mais valorizadas nos títulos públicos – e um dos maiores problemas apontados no investimento em ativos ainda considerados reais por, em qualquer circunstância, preservar o valor de compra, como o ouro ou os imóveis. “O ouro teve, tem e sempre terá status de aplicação segura, mas nosso mercado no Brasil não é tão eficiente quanto em outros países”, pondera o diretor da distribuidora Fitta, André Nunes.

 

Ao cheiro de instabilidade, cresce a procura por ouro, refletida instantaneamente na cotação. Só neste setembro negro, quando problemas em tradicionais bancos dos EUA mostraram o peso da crise, o preço do grama do metal negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) subiu 19,32%, fechando a R$ 52,50 na quarta-feira, dia 24. A dificuldade, porém, está na quantidade reduzida de negócios. Semana passada (15 a 19), no auge da crise, foram negociados 407 contratos. Em agosto, foram 799. “Falta acesso ao pequeno investidor”, observa o diretor da distribuidora Marsam, José Inácio Franco. Um contrato padrão da BM&F, de 250 gramas, custa cerca de R$ 13 mil. A Bolsa chegou a cogitar o lançamentos de contratos mais baratos (minicontratos) de ouro em 2007, mas a idéia não vingou. Segundo a assessoria de imprensa, espera-se por um “momento melhor”.

 

Preço do ouro

 

O preço do ouro no Brasil anda lado a lado com a cotação do dólar – moeda, aliás, que até a criação do Plano Real era tida como investimento de proteção. “Enquanto o Brasil teve inflação alta, o dólar era considerado seguro porque escapava da elevação dos preços no Brasil”, diz o administrador de investimentos Fábio Colombo. “Mas a partir do momento em que o País começou a crescer e a economia ganhou estabilidade, essa característica acabou.” Ele recomenda a aplicação apenas como forma de diversificação. “Para o investidor que vive no Brasil e que gasta em reais, aplicar em dólar não vale a pena”, completa o economista da LLA Investimentos, Sergio Manoel Correia.

 

Nos últimos dias, a cotação da moeda norte-americana subiu e atingiu R$ 1,93. Neste mês, a valorização acumulada até o dia 25 é de 11,64%. A disparada ocorreu por conta do aumento da procura por títulos do Tesouro norte-americano pelos investidores, conceitualmente considerados como aplicações menos sujeitas a risco, explica a diretora de câmbio da corretora AGK, Miriam Tavares. É que investidores do mundo todo passaram a comprar a moeda norte-americana para investir em títulos públicos dos EUA e isso aumentou a procura pela moeda. “E, conseqüentemente, elevou a sua cotação.”

 

Os imóveis, por sua vez, mantêm a imagem de investimento seguro. “O risco de perder dinheiro aplicando neles é bem menor do que emprestando a uma empresa, que pode falir. O valor é bem mais estável”, afirma Toledo, da LCA. Mas isso tem um custo que é abrir mão da liquidez, assim como no caso do ouro. “É um investimento que peca pela dificuldade de ser vendido”, completa o sócio e diretor de operações da Hera Investimentos, Nicholas Barbarisi. Por isso, é o tipo de aplicação que merece ser bem pensada. “Não recomendo que o investidor saia comprando diante da crise”, afirma Toledo.

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Comentários


O Presidente Barack Obama conseguirá reverter os efeitos da crise americana?

Sim, a curto prazo.
Sim, a médio prazo.
Sim, a longo prazo.
Não, não conseguirá.





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