Uma das premissas do sucesso de uma marca é a escolha de um nome forte. No entanto, esse é um processo muito mais complexo do que se pode imaginar. “Existem inúmeras particularidades que não são analisadas na hora em que um leigo escolhe o nome de uma grife”, alerta Paulo Afonso Pereira, presidente da PAP Propriedade Intelectual, em entrevista a AMANHÃ Online. Nesta semana, ele participou do evento “Qual o valor da sua marca?”, promovido pela Associação de Jovens Empresários de Porto Alegre. O primeiro mandamento é procurar o auxílio de um especialista na hora de criar uma grife para evitar a perda de tempo e dinheiro, ao trabalhar com um nome que nao possa ser registrado no Brasil, por exemplo, por questões legais. No país, a espera por um registro é de, no mínimo, dois anos. “Durante o tempo em que solicita esse registro, o empreendedor pode estar gastando dinheiro em vão com publicidade. O pior de tudo é sofrer um processo por utilizar um nome que já existe”, explica Pereira.
Pereira, que já foi presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), dá dicas básicas de como aumentar as chances de sucesso de uma grife. Uma delas: prestar atenção a referências a expressões genéricas que designam um produto ou serviço. “Não é aconselhável que uma empresa de combustível se chama “Diesel”, mas uma marca de roupas, sim”, exemplifica Pereira. De acordo com a legislação brasileira, números e letras precisam ser acrescidos de outros elementos para que se tornem registráveis. Assim, o nome “14 Bis” pode ser usado, mas apenas “14”, não. “Uma marca forte é aquela que não confunde o cliente”, prega Pereira. Para isso, uma dica é não criar nomes com radicais que remetam diretamente à atividade da companhia, porque a lei impede que eles sejam de uso exclusivo. Por isso, uma marca como a Frangosul, conforme Pereira, tem pouca força, pois é semelhante a várias outras como Avesul e Frangonorte. “Um bom nome tem que se destacar dos concorrentes”, aponta. Um dos casos bem sucedidos assessorados pela consultoria PAP é o Kzuka, um jornal voltado ao público jovem que circula pelos colégios de Porto Alegre. A publicação deu tão certo que, em pouco tempo, foi comprada pelo Grupo RBS. “O Kzuka começou como uma idéia de filhos dos nossos clientes e deu certo. O nome contribuiu para o resultado”, revela Pereira.
Outro alerta: as obrigatoriedades que vêm com a marca. “A grife é um bem vivo. Enquanto ela é bem gerida, só tende a valorizar. Só que a maior parte das empresas brasileiras não tem a cultura de gerir sua marca”, lamenta Pereira. Uma das dificuldades é impedir que outra pessoa se aproveite de uma grife indevidamente. “Nesses casos, é necessário entrar com uma ação na Justiça para impedir o uso indevido. O problema é que a Justiça brasileira é morosa e desacredita o sistema”, expõe o especialista.