Os gargalos do ensino superior

Expansão é necessária: só um entre oito jovens de 18 a 24 anos cursa faculdade. As críticas ao fato de o atual governo já ter autorizado o funcionamento de 1.760 novos cursos superiores e à eventual criação de novas universidades públicas parecem desconsiderar a realidade.

Afinal, a expansão é necessária e desejada pela população. Deve, porém, ser criteriosa e assegurar a qualidade do ensino.

É verdade que o acesso à educação superior cresceu nos últimos dez anos, mas o avanço foi pequeno ante a necessidade de tornar o conhecimento a base da justiça social e do progresso: só um entre oito jovens de 18 a 24 anos cursa faculdade. É preciso quase triplicar o índice para cumprir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de que um terço dos brasileiros nessa faixa etária freqüente cursos superiores até 2010.

Além disso, 70% dos universitários estudam na rede privada. De 1994 a 2001 ampliou-se em um terço o número de vagas na rede pública, na qual mais da metade das matrículas concentra-se nas universidades federais. Essa expansão, contudo, ficou aquém da demanda.

A Pesquisa Nacional de Amostra em Domicílio (IBGE 2001) revela que, entre os 10% mais ricos, 23,4% cursam a educação superior; dos 40% mais pobres, apenas 4% estão matriculados em faculdades. Portanto, uma análise racional e equilibrada dos dados demonstra ser correta a política pública de expansão das vagas no ensino superior, estatal e privado.

O significado contemporâneo do acesso à academia tornou-se mais claro a partir de 1990, como bem expressam as "Novas Teorias de Crescimento", de Paul Romer e colaboradores (Chicago, Estados Unidos). O saber deixou de ser variável exógena do desenvolvimento. Tornou-se sua base e indutor, agregando valores à sociedade, economia, qualidade de vida e produção.

Exemplos tácitos dessa nova realidade encontram-se nos Estados Unidos, onde há 800 mil cientistas fazendo pesquisas em empresas, ou na Coréia do Sul (75 mil). Aqui, são só 10 mil, número a ser potencializado pelo previsível sucesso das políticas públicas para educação.

Dessa maneira, justifica-se plenamente a adoção de programas emergenciais para ampliar o acesso de alunos de menor renda à universidade gratuita, bem como a criação de cursos superiores.

Também é importante considerar que as universidades públicas têm centros acadêmicos de excelência e se destacam no campo da pesquisa, inovação e tecnologia, sendo responsáveis por 90% da produção científica nacional. Disseminação desse conhecimento de forma mais efetiva e sistemática contribuiria muito para democratizar cada vez mais a academia, permitindo à sociedade e aos sistemas produtivos agregarem benefícios advindos de seu trabalho.

É essencial, contudo, melhorar muito o ensino fundamental e médio nas redes municipais e estaduais. Esta é a solução definitiva para que a disputa de vagas na educação superior pública seja mais equilibrada.

O Brasil será outro país, melhor e mais próspero, quando crianças e jovens de todas as faixas de renda tiverem igualdade de chances para chegar à universidade com nível adequado de conhecimento e cultura.




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A economia não irá se recuperar em 2009.





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