Panorama da crise no mercado financeiro

07 de outubro de 2008 às 00:03
A aprovação do pacote de salvamento dos bancos norte-americanos na última sextafeira não foi suficiente para reverter o sentimento de preocupação extrema nos mercados internacionais. A semana se inicia sob forte estresse, com quedas expressivas nas bolsas em todas as regiões e liquidação de contratos de commodities, o que se manifesta no recuo intenso dos preços do petróleo, metais e agrícolas. Neste contexto, ganham os Treasuries e o dólar, ainda considerados refúgio seguro mesmo com o bilionário custo do plano de Henry Paulson.

A situação se agravou durante o final de semana, quando a reunião entre os líderes das principais economias européias não apontou nenhuma medida concreta para reforçar o setor financeiro da região. Diversos bancos europeus mostram problemas, e a lista segue aumentando – o último foi o segundo maior banco da Itália (Unicredit) que precisou buscar uma elevação do capital diante da deterioração de seu balanço. Além disso, o plano de resgate do banco alemão Hypo teve de ser refeito, após o fracasso da tentativa inicial. A despeito dos governos terem reiterado que não vão permitir prejuízos aos depositantes, e que tomarão medidas necessárias para impedir o colapso do sistema financeiro, os temores não foram aliviados, com a ausência de ações mais firmes na tentativa de normalizar o setor.

Neste ambiente de uma crise sem precedentes e, por hora, sem perspectivas de alguma solução definitiva, os mercados abrem a semana em alto nível de estresse. No Brasil, seguindo a tendência global, o dólar se valoriza, alcançando patamares inimagináveis até recentemente. Isto pode requerer alguma ação por parte do Banco Central brasileiro, que poderia dispor de uma pequena parcela das reservas internacionais para aumentar a liquidez no mercado cambial do país. Cabe aguardar alguma medida neste sentido.

No resto do mundo, fica a expectativa para uma ação dos principais bancos centrais – seja de forma coordenada ou não. Ao menos o Federal Reserve poderá reduzir os juros de maneira extraordinária na semana, com base nas perspectivas cada vez mais pessimistas para a economia do país. Tal decisão poderia, ao menos, contribuir para estancar parte do nervosismo.

Voltando ao Brasil, apesar de mais bem preparado para absorver a turbulência externa, a economia do país irá sentir ao longo dos próximos meses os efeitos da crise. A redução da liquidez deverá segurar o crédito e a demanda agregada, reduzindo o crescimento do PIB em 2009. O câmbio é outro fator de risco, embora o movimento atual possa significar apenas a busca por um novo patamar de equilíbrio, mais depreciado.

Para os mercados na semana, o sinal segue de cautela extrema, diante dos fortes movimentos que poderão continuar ocorrendo. A agenda econômica é pouco intensa, e os investidores ficarão de olho no noticiário, aguardando possíveis novas medidas ao redor do mundo na tentativa de minimizar a crise financeira.

Medidas para amenizar a crise

Com os mercados iniciando a semana em forte estresse, fica a expectativa para o anúncio de novas medidas na tentativa de conter o pessimismo. Entre as possibilidades, o corte de juros por parte do Fed em caráter extraordinário e alguma ação conjunta entre os países europeus para dar sustentação ao setor financeiro.

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