Papéis que pagam juro prefixado mais variação do IPCA podem reservar boas oportunidades

Os títulos públicos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vendidos pelo governo por meio do Tesouro Direto (sistema de negociação pela internet) vêm oferecendo, nos últimos dias, juros prefixados tão altos quanto os verificados em meados de 2006. Os papéis atrelados à inflação – as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) e as Principais (NTN-B Principal) – garantem ao investidor uma taxa anual definida no momento da compra, mais a variação do IPCA. Ontem pela manhã, por exemplo, quem comprasse uma NTN-B com vencimento em 15 de agosto de 2012 garantiria um retorno de 9,74% ao ano, mais a variação do indicador inflacionário.

Os juros dos títulos de inflação, grosso modo, são calculados a partir da taxa prefixada esperada para o vencimento do papel, descontada a expectativa para o IPCA na mesma data, explica o responsável pela área de renda fixa da Avanti Gestão de Recursos, Luiz Augusto Monteiro. “Se o mercado acredita que daqui a certo tempo os juros estarão em 14% e o IPCA, em 6%, a taxa prefixada dos títulos de inflação seria de 8% hoje. Simplificando bastante o cálculo, é isso o que acontece”, diz.

Juros

Dois fatores ajudam a elevar as taxas oferecidas nestes títulos. O primeiro é o aumento, neste ano, dos juros básicos da economia por parte do Banco Central. A Selic começou 2008 em 11,25% ao ano, mas chegou a 13,75% na reunião de setembro da autoridade monetária. O segundo ponto é o clima de incerteza sobre os rumos da economia mundial, frente à crise de crédito originada nos Estados Unidos e agora tornada global. “Existe uma sensação de instabilidade total, frente à alta verificada na cotação do dólar, que poderia conduzir a um processo inflacionário. Com isso, a expectativa do mercado para os juros é de que também subam”, reforça Monteiro.

“Há boas oportunidades nos títulos indexados à inflação”, afirma o professor de Finanças Luiz Jurandir Simões, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). “Nestes papéis, o investidor tem a garantia de proteger o poder de compra. E mais de 9% ao ano em juros reais (descontada a inflação) é uma fábula.”

Mas atenção: só consegue assegurar o retorno prefixado e a variação da inflação o investidor que carregar o título até a data do vencimento. Quem se antecipa ao prazo – já determinado e conhecido no momento da compra – abre mão dos juros acertados e revende o papel ao Tesouro Nacional a preços de mercado, sujeitando-se às variações do momento.

Na venda antecipada, o título poderá estar valendo mais ou menos do que na compra. E a expectativa para os juros é a variável preponderante no cálculo do preço do papel, numa relação inversa: quando as taxas sobem, o preço cai, e vice-versa. “Se as perspectivas para a inflação subirem, mas o mercado acreditar que os juros serão mantidos no mesmo patamar, a taxa prefixada tende a diminuir e o preço do título, a aumentar”, exemplifica Monteiro. O contrário também é verdadeiro. “Quando a expectativa é de que o IPCA caia, frente a juros prefixados inalterados, a taxa dos títulos de inflação aumenta e o preço diminui. Quem vende o papel pode perder dinheiro.”

Essa relação é mais estreita quanto maior for o vencimento de um título. Diz-se que papéis de longo prazo – como é o caso dos atrelados à inflação, que chegam a ter vencimento em 2045 – são mais “sensíveis” a variações nos juros, ou seja, seu preço varia com maior intensidade. Por isso, comprar um título de inflação é uma decisão que deve ser bem pesada. “O melhor investimento é o que está mais adequado às necessidades do investidor. Se pensamos num aposentado interessado em proteger o poder de compra, por exemplo, a NTN-B é interessante”, sugere o professor Simões.



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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

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A economia não irá se recuperar em 2009.





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