Para evitar atritos, novo chefe deve escutar time

Logo depois de se formar em relações internacionais, Luana Akemi foi contratada para gerenciar uma equipe em que o mais jovem funcionário tinha de experiência o que ela tinha de idade: 22 anos.

Hoje, aos 27 anos e em função executiva, ela conta que não foi fácil chegar de cara como líder. Mas, aos poucos, aprendeu a trabalhar com as pressões do cargo e as ansiedades e as expectativas da equipe.

Essas são preocupações naturais do time, segundo a consultora de gestão de talentos da Watson Wyatt Worldwide, Jucila Gosling. "A saída do gestor gera insegurança na equipe."

A consultora diz que como os subordinados não sabem quem será o novo chefe e quais mudanças serão feitas, é importante o líder tranqüilizá-los e conhecer a cultura da firma antes de direcionar sua metodologia de trabalho.

Exercício de poder

Mas há chefes que não sabem conquistar espaço na equipe e usam o poder inerente à função para impor novas vontades e metas, segundo Maria de Fátima Ohl Braga, sócia-diretora da Ohl Braga Consultoria.

Para ela, isso mostra imaturidade e insegurança. "Há outras maneiras de expor metas e deixar clara a forma de trabalhar, que não a imposição."

A comunicação clara e transparente com os subordinados foi a tática adotada pela gerente de compras J.S., 33, que preferiu não se identificar.

"Ao chegar à empresa, procurei entender as oportunidades de melhoria que eles propunham, de forma que, à medida que desenvolvesse projetos na área, tivesse a aderência deles."

Conhecer os processos da empresa antes de tomar medidas drásticas também foi fundamental para desenvolver a confiança do time, conta ela.

Para o chef Dinesh Rajput, 36, que gerencia a cozinha do restaurante Govinda, em São Paulo, a confiança entre ele e a equipe nasceu naturalmente. "É importante manter um bom relacionamento com todos."

Mas não é só com as expectativas da equipe que o novo chefe tem de se preocupar. Luiz Concistré, consultor da DBM, destaca que o líder deve estabelecer com o seu superior quais são as suas metas.

"É muito importante evitar objetivos difusos, como "dar mais dinamismo à área". Ele precisa saber o que é esse dinamismo", destaca Concistré.



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