Para Febraban, crise dos EUA reduzirá alta do crédito no país

A crise dos mercados financeiros deve se refletir no mercado de crédito do Brasil, segundo pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), feita com 26 instituições brasileiras.
Segundo o levantamento, as operações de crédito devem crescer 23,94% no ano. Em julho, a expectativa dos bancos era de um crescimento de 24,97% de janeiro a dezembro.

Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, as instituições podem demonstrar preocupação quanto à obtenção de crédito no mercado internaiconal. Em consequência, podem reduzir a oferta interna de crédito.

"O cenário é de um pouco mais de cautela, com redução do crescimento dessas operações", disse Sardenberg. Ao mesmo tempo, apontou ele, é preciso considerar que a esperada redução do crescimento econômico vai diminuir a demanda pelo crédito. "O movimento é de ajuste nas carteiras, mas a situação ainda é bastante positiva", apontou.

O levantamento mostra que a expectativa de crescimento recuou mais para o crédito pessoal para pessoa física. Enquanto em julho a alta esperada para o ano era de 27,07%; e, setembro, a projeção de alta passou para 24,33%.

Contágio

De acordo com o levantamento, 56% dos bancos acreditam que o risco de contágio da crise na economia brasileira é "médio", estando mais ligado ao crescimento da economia como um todo do que especificamente ao setor bancário.

"O sistema financeiro brasileiro é completamente diferente do que você tem lá fora, menos alavancado, com volume de crédito imobiliário muito menor. Por outro lado, há um certo receio de que os desdobramentos vão levar a uma desacelaração da economia, com redução da liquidez e enxugamento de linhas de crédito", afirmou o economista.

Apesar do aumento do aperto econômico, com a elevação da taxa básica de juros da economia para 13,75%, a expectativa de crescimento do PIB de 2008 foi elevada em em setembro, para 5,15%, ante 4,79% em julho. Para 2009, no entanto, os bancos esperam crescimento de 3,75% - há três meses, o crescimento esperado para o ano que vem era de 3,90%. 

Inflação, dólar e juros

Os bancos participantes da pesquisa mantiveram a previsão de que a taxa Selic chegue ao final do ano em 14,75%, com duas altas de 0,50 ponto percentual até dezembro.

Com a queda esperada no crescimento do PIB, no entanto, as instituições acreditam em uma redução no aperto, com o recuo da taxa para 13,75% ao final de 2009. "A expectativa de redução da atividade econômica pode facilitar o trabalho do BC", apontou Sardenberg.

A recente elevação do dólar, que chegou a ultrapassar os US$ 1,90 na semana passada, também alterou as expectativas dos bancos para a taxa de câmbio. Em julho, as instituições acreditavam que a moeda norte-americana encerraria o ano cotada a R$ 1,63. Na pesquisa atual, esse valor sobe para R$ 1,74. A expectativa para 2009 é de mais alta, com o dólar fechando dezembro a R$ 1,82.

"Essa mudança reflete um cenário internacional um pouco mais complicado, de ajuste. Mas no Brasil, um cenário bastante positivo, se a gente considerar o conjunto", comentou o economista da Febraban.

A pesquisa mostrou ainda uma expectitiva de redução nas taxas de inflação, também provocada pela desaceleração do crescimento. Para 2008, os bancos acreditam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 6,19%, ante 6,48% da pesquisa anterior. Já para 2009, os bancos esperam taxa de 4,94%.


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