Para o Brasil entrar no jogo

Competir no âmbito interno é por si só um desafio a ser vencido por poucos. No cenário econômico atual, essa competição é travada de maneira intensa e extrapola as fronteiras geográficas. Na gestão de pessoas não é diferente. É preciso estar preparado para enfrentar duelos entre talentos internacionais. O Brasil possui mão-de-obra mais acessível que a de outros mercados, e, em certa medida, bem qualificada. Mas será essa qualificação suficiente para bater a China e a Índia nas demandas do mercado de tecnologia offshore que deve movimentar cerca de US$ 50 bilhões no mundo esse ano?

Apesar de no ano passado a exportação brasileira desse tipo de serviço ter crescido 37% e rendido ao país quase US$ 200 milhões, o número ainda está bem distante dos US$ 31 bilhões que a Índia faturou no mesmo período. O Brasil ainda precisa melhorar. E esse é um esforço conjunto a ser praticado pelas empresas privadas e o governo. Falta de qualificação adequada é apenas o início do percurso.

O último Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, mostrou que o Brasil caiu na escala da competitividade global e está agora listado na 66ª posição entre os 125 países avaliados. O relatório mostra que o ensino básico tem baixa qualidade e altas taxas de evasão, além de uma universidade pública pouco acessível às camadas de baixa renda.

O País, que sofre de desinteresse dos alunos por áreas como Engenharia, Ciência da Computação, Matemática e Estatística, precisa aumentar o número de diplomados nessas disciplinas. Além disso, precisa ampliar as certificações de qualidade, quesito mínimo para competir.

O mundo assiste à expansão dos serviços offshoring, ao crescimento vertiginoso da China e o investimento da Índia em mão-de-obra altamente qualificada. Com isso, os emergentes asiáticos despontam entre os principais players globais. E o Brasil? Para entrar no jogo, o País precisa alinhar os esforços rumo à qualificação de pessoas para a absorção de uma boa parcela da demanda existente por esse tipo de serviço.

A criação de pólos de treinamento e incentivos por parte do governo à iniciativa privada no estimulo à capacitação de mão-de-obra especializada são alguns dos fatores que colocarão o País em um degrau cada vez mais alto na dura competição para atrair os serviços que extrapolam as fronteiras geográficas. É preciso reconhecer que o Brasil tem potencial. Entretanto, não se pode ser conformista. Visualizar os erros e reconhecê-los é o primeiro passo para superá-los. Sem isso, não há como competir, porque não se está qualificado o suficiente para, de fato, fazer parte desse jogo.


*Sócio-líder da área de Consultoria em Gestão de Capital Humano da Deloitte





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