Paraguai e Brasil avançam em gestão igualitária de Itaipu

28 de setembro de 2008 às 13:27

Paraguai e Brasil firmaram um acordo para impulsionar a gestão paritária da administração da central hidrelétrica binacional de Itaipu, anunciou na última quinta-feira o diretor paraguaio da usina.

 

O convênio é uma medida prévia para a aprovação de acordos que assegurem uma administração igualitária, já que atualmente várias áreas da direção da empresa estão em mãos exclusivas do Brasil, disse a jornalistas o paraguaio Carlos Mateo.

 

Os países são sócios da usina hidrelétrica, que na atualidade é a mais potente do mundo, segundo a empresa, e o novo governo do Paraguai está negociando um melhor preço pela energia que não usa e vende ao Brasil.

 

Itaipu produz cerca de 20 por cento da eletricidade consumida pelo Brasil, que usa quase a totalidade do que é produzido pela usina.

 

"Hoje há uma assimetria. Há direções, como a financeira e a técnica, que são ocupadas por funcionários brasileiros. Nós temos cargos adjuntos. Com a aprovação das notas, o Paraguai alcançará o mesmo nível que os brasileiros", disse Mateo.

 

O funcionário disse que firmou um convênio com o diretor brasileiro da hidrelétrica, Jorge Samek, e que o passo dado constitui um avanço para o cumprimento de um dos seis pontos que o novo governo paraguaio, liderado pelo ex-bispo Fernando Lugo, reivindica ao gigante vizinho.

 

"Tomamos um passo adiante. Vamos ter uma co-gestão plena. É um passo histórico muito importante", disse.

 

Os acordos precisam ser aprovados pelos congressos dos dois países.

 

Uma comissão técnica e representantes do governo têm prevista uma reunião amanhã para negociar outras reivindicações do Paraguai.

 

Entre as aspirações do Paraguai se encontra a revisão do tratado de fundação da usina em referência ao preço e à disponibilidade da energia produzida.

 

O documento estabelece que cada país é dono de metade da energia gerada e deve vender o excedente ao seu sócio, a um preço fixado no acordo, vigente até 2023. O Paraguai considera a renegociação necessária pois o preço é inferior ao do mercado.


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