Pedidos de auxílio-desemprego caem nos EUA, mas ainda indicam níveis de recessão

O número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA caiu em 20 mil na semana encerrada no dia 4 de outubro, para um total de 478 mil, contra 498 mil na semana imediatamente anterior (dado revisado), segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho. Mesmo com a queda, o total está em níveis que, segundo analistas, indicam que a economia ou está perto da recessão ou já se encontra em uma.

O índice divulgado hoje ficou em linha com o esperado pelos analistas. A revisão elevou o número apurado na estimativa anterior, divulgada na semana passada, de 497 mil --que já mostrava a maior taxa desde a semana encerrada em 29 de setembro de 2001.

Números acima de 400 mil nos pedidos do benefício são vistos pelos economistas como sinal de economia à beira da recessão.

Segundo o departamento, os estragos causados pelos furacões Gustav e Ike, nos Estados da Louisiana e do Texas (sul), respectivamente, contribuíram para o acréscimo de 17 mil pedidos no total.

A média quadrissemanal, que atenua as volatilidades das leituras semanais, ficou em 482.500, um aumento de 8.250 em relação à média da semana imediatamente anterior, 474.250. A média divulgada hoje foi a maior desde outubro de 2001.

Na terça-feira (7) o vice-diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), John Lipsky, disse que existe um "risco real" de recessão para a economia dos EUA nos próximos trimestres. "Existe um risco real de que a produção se contraia nos próximos trimestres, antes de aumentar no próximo ano", disse.

No relatório "World Economic Outlook" ("Perspectiva Econômica Mundial"), divulgado ontem pelo Fundo, a previsão de expansão da economia americana para 2008 é de 1,6%, ligeiramente acima do 1,3% calculado em julho. O relatório do Fundo destaca que a piora do crédito já tem um impacto visível na concessão de novos empréstimos e prevê que o acesso a empréstimos e financiamentos continuará sendo difícil ao longo de 2009.

"O impacto será provavelmente maior nas famílias (...), mas nas atuais condições nos mercados financeiros é provável que as empresas também sejam afetadas de forma negativa, apesar de seus sólidos balanços e de suas ainda saudáveis margens de lucro", diz o relatório.

Na semana passada, o departamento informou que a economia americana perdeu 159 mil vagas no país em setembro, marcando o nono mês consecutivo de perda de postos de trabalho no país. Trata-se da maior queda desde março de 2003. A taxa de desemprego, por sua vez, ficou em 6,1%, mesma de agosto.

O número de pessoas desempregadas no país ficou em cerca de 9,5 milhões, praticamente estável em relação a agosto. Nos 12 meses até setembro, o número de desempregados no país cresceu em 2,2 milhões e a taxa de desemprego cresceu em 1,4 ponto percentual.

Bernanke

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse nesta semana que o cenário para a economia do país piorou. "A combinação dos dados econômicos recentes e dos desenvolvimentos financeiros sugerem que a perspectiva para a expansão econômico piorou e os riscos de baixa para o crescimento aumentaram", disse.

Na avaliação de Bernanke, a atividade econômica americana deve ser fraca no restante deste ano e no início do próximo. "A turbulência financeira elevada que experimentamos pode bem prolongar o período de desempenho econômico fraco e aumentar os riscos ao crescimento. Para apoiar o crescimento e reduzir os riscos de baixa, esforços contínuos para estabilizar os mercados financeiros são essenciais", disse.

Na semana passada, o Congresso aprovou um pacote de US$ 700 bilhões, preparado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, a fim de evitar novas quebras no setor financeiro --como a dos bancos Lehman Brothers e Washington Mutual. Bernanke disse que "nova legislação oferece importantes ferramentas para lidar com a tensão nos mercados financeiros e, assim, diminuir os riscos para a economia". "A lei amplia a autoridade para comprar ativos com problemas, oferecer garantias e reforçar diretamente os balanços de instituições."



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O Presidente Barack Obama conseguirá reverter os efeitos da crise americana?

Sim, a curto prazo.
Sim, a médio prazo.
Sim, a longo prazo.
Não, não conseguirá.





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