Pequenas e médias empresas planejam sucessão

08 de maio de 2008 às 00:01
Agumas pequenas e médias empresas familiares, assim como as grandes corporações, também precisam se preocupar com a sucessão na hora de passar o comando. É o caso da rede de concessionárias Veibrás, fundada há cinqüenta anos no interior paulista. Neto de um dos criadores da rede, Rafael Davoli trabalhava há quatro anos na empresa da família quando começou a imaginar o futuro dela sem seu pai e tio (sócios do negócio) por perto. "Com o avanço da idade, percebi que eles já não conseguiam participar de todo o operacional da companhia como antes", diz o gerente, de 31 anos, informou o jornal O Estado de São Paulo.

Da percepção, surgiu uma decisão delicada. Junto com os três primos, que também trabalham no empreendimento, Davoli contratou uma consultoria para ajudar a planejar a sucessão familiar. "Queríamos garantir o futuro da empresa construída por nossos pais", diz ele. Há um ano, todos - pai, tio e primos - trabalham na criação do acordo de acionistas e do código de ética da empresa. O objetivo é manter a companhia funcionando no caso do desligamento repentino de um dos sócios.

"Enfrentar a sucessão pode fazer a diferença na continuidade e até no sucesso do negócio", afirma Eduardo Najjar, coordenador do Núcleo de Estudos de Empresas Familiares, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). No entanto, o professor acredita que a iniciativa dos Davoli se encaixa na exceção por dois motivos. Um deles é o fato de ser uma empresa de porte médio, menos familiarizada com o tema que as grandes corporações. Outro ponto que a diferencia da regra comum é a decisão de fazer o planejamento de sucessão "preventivamente" - e não após a saída ou falecimento de um dos sócios.

Planejamento
Um estudo recente feito pelo Núcleo com cem empresas familiares nacionais comprova isso. Segundo a pesquisa, em 55% delas a sucessão não está sendo planejada e apenas 19% mantêm programas para formação das novas gerações.

A preparação do sucedido, outro aspecto da sucessão, também é negligenciada. Em 86% das companhias pesquisadas, não há preocupação com o desenvolvimento de projetos de vida e carreira para o dirigente que deixará o comando da empresa. Segundo Najjar, muitos pequenos e médios empresários nem sabem que existe ajuda técnica para o planejamento. "Tem surgido várias consultorias nessa área, que oferecem bom custo-benefício. Falta apenas informação", afirma.

O trabalho desses profissionais geralmente inclui o aconselhamento do fundador, dos herdeiros e a criação de um conselho de administração. "O conselho evita brigas pelo comando entre os herdeiros, já que há espaço para até sete pessoas."

Sócio e fundador de uma distribuidora de livros, Francisco Disal procurou advogados e consultores para se preparar para deixar o controle da empresa, onde está há 20 anos. No momento, está formando o conselho de administração, que terá a participação de dois executivos de fora da companhia, além dele próprio. "Será uma nova fase, onde poderei colaborar com o negócio, mas também ter outros projetos de vida", diz o empresário de 60 anos.

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