Pequenas empresas estão agitando a Bolsa Mais

A estréia em janeiro da fabricante de fertilizantes Nutriplant no segmento de pequenas e médias empresas da Bovespa, o Bovespa Mais, esquentou a corrida de outras companhias de menor porte rumo ao mercado de capitais. Além da Senior Solution, empresa de software que prepara sua oferta pública de ações (IPO, em inglês) para o primeiro semestre, outras duas companhias - uma da área de entretenimento e outra do varejo - também estão interessadas em se listar no segmento das PMEs. Na próxima semana, essas três empresas irão apresentar seus planos a banqueiros, auditores, advogados e analistas, em um encontro promovido pela própria Bovespa, informou o jornal O Estado de São Paulo.

Além delas, outras empresas de pequeno e médio porte têm procurado esses agentes de mercado para conhecer e preparar sua entrada na Bolsa. Segundo o diretor de relações com empresas da Bovespa, João Batista Fraga, a plataforma está despertando o interesse das companhias e dos prestadores de serviço porque tem um perfil diferente dos outros segmentos, como o Novo Mercado. “A Bovespa Mais navega em outra dimensão”, diz Fraga.

Isso porque, pelo porte das operações que realiza, o segmento atrai principalmente investidores institucionais brasileiros. Eles estariam menos avessos ao risco que os estrangeiros, ainda cautelosos com seus investimentos por causa da crise do mercado subprime.

No escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, pelo menos três médias empresas estão analisando fazer uma oferta de ações. Segundo Nazir Takieddine, advogado especializado em mercado de capitais, a expectativa é que a demanda das PMEs aumente 20% no segundo semestre. O escritório, que já fez cinco IPOs de grandes companhias nos últimos anos, está contratando oito advogados para se adequar ao novo fluxo de trabalho.

O otimismo se justifica, segundo Takieddine, pelo perfil dos investidores desse segmento. “Quem está retraído com a crise do subprime são os grandes investidores estrangeiros, que não têm tanto interesse no Bovespa Mais.”

Para Eduardo Borges, sócio do Banco Modal, instituição que coordenou dois IPOs na onda recente de aberturas de capital no Brasil, a plataforma de negociação da Bovespa é promissora. “Nesse momento, estamos olhando para ela com mais interesse do que para outros segmentos”, afirma.

Um dos motivos para a aposta do executivo é o aquecimento da economia do País que, segundo ele, está favorecendo o desempenho das pequenas e médias companhias. “Além disso, elas estão menos expostas aos riscos de crise internacional.”

Na consultoria especializada em franquias Grupo Cherto, a procura por serviços de preparação ao IPO também aumenta. Segundo o presidente do Grupo, Marcelo Cherto, o número de PMEs que procuraram a consultoria triplicou este ano, após a abertura de capital da Nutriplant. “A estréia deles e o ritmo intenso dos IPOs no ano passado fizeram os empresários verem o mercado de capitais como algo possível, feita de gente de carne e osso”, afirma Cherto, que conta ter recebido empresas das áreas de varejo de moda, calçados e alimentos interessadas na operação.

Segundo o consultor, porém, a maior parte das “candidatas” não está preparada para se tornar uma empresa de capital aberto. O Bovespa Mais, apesar de ter facilidades como custos reduzidos para a oferta de ações e análises custeadas pela própria Bolsa, mantém exigências de governança corporativa semelhantes às do Novo Mercado. “Muitos empresários não preenchem os requisitos necessários ou acabam desistindo”, diz Cherto.

O sócio da Demarest e Almeida Associados, José Diaz, também mantém o ceticismo sobre o movimento das PMEs. Ele acredita que a capitalização por fundos de private equity (que compram participação em empresas) seja a mais adequada para os empreendimentos de menor porte. “Sem esse teste, fica difícil ganhar a cultura da governança corporativa”, afirma ele.


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