internacionalização das micro e pequenas empresas é possível, mas para isso é preciso aliar determinação do empresário, criatividade, estrutura de investimento e vencer desafios como distância geográfica dos demais mercados e barreiras culturais. Essas são algumas das constatações da oficina que tratou da internacionalização dessas empresas durante semana de capacitação que o Sebrae promove para os funcionários da Instituição.
Os debates tiveram por base palestras da professora Ângela da Rocha da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) em Goiás, Plínio Viana. Também foi apresentado o caso de sucesso da pequena empresa de fabricação de software Ínvia, do Ceará, que venceu os desafios, tem escritório em Portugal e já se prepara para entrar nos Estados Unidos.
O proprietário da Ínvia, Alexandre Menezes, falou sobre determinação de expandir o negócio, obstinação, criatividade e ações práticas como capacitação, certificação da empresa e maturidade de gestão. Segundo ele, a inserção no mercado internacional repercute positivamente no mercado interno. E a empresa que em 2002 tinha 31 funcionários hoje tem 320.
O conselho para os empresários que também querem alcançar tais objetivos é especialmente investir em capacitação e na busca de conhecimento sobre o país onde quer inserir a empresa. "Aprender com erros custa caro e demora muito tempo", alerta. E encoraja os empreendedores. "Eu não sou apenas uma andorinha. Já vi várias empresas lá fora, de vários segmentos, já encontrei brasileiro vendendo até porta, vendia bastante, então é possível para todos".
De acordo com a professora Ângela da Rocha a principal dificuldade para o empresário brasileiro nessa área é a cultural. "Nossa cultura não está preparada para a internacionalização, somos um povo etnocêntrico, voltado para dentro". Entre as saídas, ela aponta o acesso dos empresários que tenham potencial de internacionalização a experiências internacionais. "Estar em contato com o estrangeiro é a forma principal de vencer essas dificuldades", diz, lembrando também a questão do idioma, "que também diminui a distância psicológica e dá para aprender".
Plínio Viana explicou como o Centro Internacional de Negócios auxilia no acesso das micro e pequenas empresas ao mercado externo. O CIN é um programa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) desenvolvido nos estados em parceria com as federações de indústria. O carro-chefe do programa é o Exporta CIN, que atua principalmente na busca de mercado externo para esses empreendimentos e preparando as empresas para o processo.
Segundo Plínio Viana, de um universo de 39 empresas atendidas pelo CIN em 13 estados, a maioria está exportando e as demais estão em fase de negociação. Em Goiás são três empresas, das quais duas já estão exportando e uma se prepara com esse objetivo.