Pequenas estão tomando espaço de grandes

As grandes empresas da construção civil, aquelas com mais de 250 funcionários, perderam espaço para as pequenas. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas reduziram sua participação no valor total das obras executadas de 71,1% para 64% de 1996 a 2006. Uma das explicações é a terceirização de alguns serviços. Outra razão é a queda do investimento público. As obras do governo, tocadas normalmente por grandes corporações, antes correspondiam a 76% e passaram a deter 68,3% do total de construções, informou o Correio Brasiliense.

Para Paulo Safadi Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a busca de mercados externos por parte das grandes companhias do setor também é uma das causas da redução da participação no Brasil. O empresário Joab Almeida, dono da Joab Engenharia, gostou da abertura de espaço encontrado por sua empresa nos últimos oito anos. No mercado há 22 anos, ele aproveitou as mudanças no setor para expandir seus negócios.

Acostumado a trabalhar como empregado para empresas de maior porte, Almeida optou por gerir seu próprio negócio e continuar ligado às grandes, mas como pessoa jurídica. A estratégia deu certo e, hoje, comanda uma empresa de 60 funcionários. No momento, atua em oito obras no Distrito Federal. Com freqüência é convidado a prestar serviço a uma empresa maior. “Para concorrer com os outros, além de ser engenheiro, é preciso ter criatividade para solucionar os problemas que surgem. Isso faz a diferença”, ensina.

A perda de espaço para as pequenas empresas começou a ser recuperada pelas grandes companhias de 2005 para 2006.

“Vários grupos da construção civil abriram capital na Bolsa de Valores, captaram bilhões e investiram na compra de empresas menores do setor”, afirma Fernando Abritta, um dos economistas responsáveis pela pesquisa no IBGE. Outro motivo foi a entrada das construtoras maiores em obras menores e do ramo imobiliário, aponta Simão.

A situação das corporações tende a melhorar, afirma o presidente da CBIC, assim que o Brasil entrar no mercado de securitização de títulos, isto é, a comercialização de títulos imobiliários na Bolsa de Valores. “Será mais uma das fontes de capital que vai ajudar a financiar a produção”, diz. “As pequenas continuarão com seu nicho de ação e vão se fortalecer como prestadoras de serviços para grandes e médias”, acrescenta.


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