Com tiragem mensal de 2 mil exemplares, o Boletim Ponto a Ponto reúne artigos de jornais e revistas e será distribuído gratuitamente em todo o Brasil diretamente para pessoas com deficiência visual, assim como também para instituições de cegos e bibliotecas públicas.
O Boletim faz parte do Projeto Ponto a Ponto, uma iniciativa da artista plástica e paisagista Silvia Valentini, que a partir de 1994 começou a estimular a troca de correspondência em braille entre cegos. Logo nos primeiros anos, o Ponto a Ponto já contava com endereços de aproximadamente 400 pessoas, de 40 países que se correspondiam em português, inglês e espanhol. Inscrições feitas, endereços enviados, iniciavam-se relacionamentos que superavam distâncias e expectativas - houve seis casamentos entre participantes que, apaixonados, chegaram a se mudar de seu país de origem. Entre os primeiros inscritos no projeto Ponto a Ponto surgiram pessoas portadoras de múltiplas deficiências, inclusive surdocegos. E para elas foram feitas as primeiras transcrições de artigos de revistas, em máquina manual, surgindo assim a idéia de editar um periódico em braille.
As edições de textos em braille são onerosas e pouco disponíveis no Brasil, mas só o braille atende a pessoas surdacegas e ensina a ortografia correta, não podendo ser substituído por nenhum outro meio de comunicação audiovisual ou de informática.
"O braille é essencial, é um encantamento, uma escultura. Uma página escrita em braille passa a ser uma peça tridimensional que faz superar limites", destaca Silvia.
O projeto Boletim Ponto a Ponto foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural e o patrocínio viabilizará 12 edições mensais. O projeto obteve destaque pelo histórico da iniciativa, a sua relevância e o objetivo de promoção da leitura para pessoas com deficiência visual. Assim, o Boletim vem atuar nesta lacuna de materiais disponíveis em braille, levando conhecimento, informação e distração, além de promover integração.
Estima-se que cada pessoa que receber um exemplar do Boletim Ponto a Ponto repassará para três ou quatro amigos. E nas associações e bibliotecas, 20 ou 30 pessoas lerão, em localidades pequenas. Nas grandes, só em SP, 1540 usuários ledores de braille estão inscritos na Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo.
Cada edição do Boletim terá 30 folhas (60 páginas). Tanto o sumário quanto o editorial serão impressos em braille e tinta para aguçar a curiosidade de quem não lê braille. Se houver interesse em algum artigo, o vidente terá que se submeter a ouvi-lo na íntegra, lido pela pessoa cega que conhece o braille. Outra inovação, criando uma situação invertida entre videntes e cegos - muitas famílias de cegos não aprendem braille.
O Boletim é impresso nas oficinas da Fundação Dorina Nowill e tem o apoio do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet.
A transcrição para o braille e a distribuição dos textos sem fins lucrativos, é permitida de acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610 de 19/02/98.