Petróleo: Se sair, aplicação de FGTS em ações da Petrobras é bom negócio

Se a idéia, em estudo pelo governo, de permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de ações da Petrobras – confirmada ontem pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi – de fato se concretizar, analistas avaliam que os trabalhadores não devem perder tempo. “Seria uma excelente oportunidade para adquirir papéis da estatal, que caíram para níveis muito baixos de preço”, diz a sócia-gestora da Global Equity, Patrícia Branco. Ela recomenda fortemente a compra das ações para os investidores de olho no longo prazo: “No mínimo, de 12 meses”, afirma.

Desde o anúncio oficial da existência de petróleo no pré-sal, em novembro do ano passado, as cotações das ações da Petrobras já passaram por altos e baixos. No início de novembro, os papéis eram negociados na faixa de R$ 35. Chegaram a ultrapassar os R$ 52 em maio, logo após o Brasil receber a primeira classificação de país “grau de investimento”. Na sexta-feira, fecharam cotados a R$ 34,98.

A possibilidade de comprar ações da petrolífera com o dinheiro do FGTS vem com o objetivo de capitalizar a empresa para a exploração das reservas de petróleo encontradas na camada do pré-sal, no litoral brasileiro. Em 2000, os trabalhadores já foram autorizados a aplicar parte das reservas mantidas no Fundo em fundos de investimento em ações da Petrobras, o que lhes rendeu uma rentabilidade acumulada de cerca de 750%. De acordo com o ministro Lupi, em entrevista concedida à rádio CBN, estudos sobre a retomada das aplicações ficarão prontos até o fim do ano.

“Eu recomendaria entrar numa aplicação como esta”, sugere o analista da corretora Alpes, Fausto Gouveia. “No longo prazo, as ações da Petrobras sempre acabam ganhando. É melhor que deixar o dinheiro parado no FGTS”, afirma. Os recursos aplicados no fundo rendem 3% ao ano, mais a variação da Taxa Referencial (TR), a mesma que atualiza o rendimento da poupança.

“Ainda deveremos ter um cenário turbulento por mais um ano, mas isso deve se dissipar com o tempo”, afirma Gouveia, referindo-se à instabilidade causada nas bolsas de valores por conta dos desdobramentos da crise financeira originada nos Estados Unidos. “Se a preocupação do trabalhador não for com o curto prazo, vale a pena.” O governo, no entanto, ainda não decidiu se a possibilidade vai de fato virar realidade.

De acordo com as projeções de oito instituições consultadas pelo AE Consenso, serviço da Agência Estado que coleta recomendações dos analistas do mercado financeiro, o preço-alvo médio para os papéis preferenciais da empresa ao fim deste ano é de R$ 55,23.


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