PME´s sofrem com má distribuição do crédito

De acordo com o estudo “Perspectivas das PMEs na América Latina”, realizado pela Visa International, Região América Latina e Caribe e a The Nielsen Company, existe uma lacuna entre as necessidades financeiras das pequenas e médias empresas no Brasil e os produtos empresariais aos quais têm acesso. Apesar de 9 em cada 10 empresas entrevistadas no país desejar crescer, existem barreiras para a sua expansão como, por exemplo, a percepção da dificuldade de acesso ao crédito e o desconhecimento das soluções empresariais de pagamento eletrônico.

A pesquisa revela que as PMEs do país precisam aproveitar melhor os benefícios que os instrumentos financeiros empresariais desenvolvidos especialmente para esse segmento oferecem, pois permitem administrar melhor o fluxo de caixa, obter financiamento e automatizar processos básicos como o pagamento de fornecedores e de serviços recorrentes. Isso facilita o dia-a-dia dos pequenos e médios empresários, fazendo com que eles dediquem mais tempo ao negócio.

A pesquisa destaca os seguintes resultados:

De acordo com os resultados, a maioria das pequenas empresas da América Latina considera mais simples se registrar e operar como pessoa física ao invés de jurídica. O Brasil é a exceção, sendo o país da região com o maior índice de empresas registradas como pessoa jurídica (82%).

88% dos donos de empresas entrevistadas no Brasil estão bancarizados em nível pessoal (98% possui um instrumento bancário, seja pessoal ou empresarial). 74% conta com instrumentos financeiros empresariais para o desenvolvimento de seu negócio. No entanto, cerca de 50% indica que utiliza produtos pessoais com fins empresariais. Apesar dessa realidade, 75% das PMEs entrevistadas manifestou interesse em separar os gastos pessoais dos empresariais.

O acesso ao crédito é um tema crítico para o segmento. Os resultados mostram que apenas 23% das PMEs brasileiras consideram fácil ter acesso à alternativas de crédito. 26% afirmou contar com algum tipo de crédito formal, a maioria concedido por bancos. No entanto, os fornecedores de matéria-prima e inventário servem como fontes alternativas de financiamento, já que 88% oferecem facilidades de pagamento e 74% concedem descontos no pagamento à vista.

· No que se refere a métodos de pagamento, 76% das PMEs brasileiras utilizam formas ineficientes de pagamento como cheque e dinheiro para seus gastos cotidianos, mesmo considerando que o uso de ambos varia de acordo com o tamanho da empresa. O estudo indica que apenas 3% utiliza cartões de crédito ou débito, sejam empresariais ou pessoais.

“As PMEs representam um elemento-chave para as economias da América Latina. Esse estudo oferece uma visão geral e permite identificar oportunidades e necessidade de financiamento básicas que são necessárias para alavancar a expansão de seus negócios e a modernização de suas operações”, diz Rita Padovani, diretora de Customized Research Brasil, da The Nielsen Company.

O estudo, que englobou 1200 PMEs de oito países da América Latina e do Caribe (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e República Dominicana), foi realizado entre janeiro e março de 2007 com o objetivo de conhecer em profundidade como funcionam as PMEs e quais são os hábitos de pagamento e financiamento, assim como, identificar os desafios e as oportunidades que essas empresas enfrentam desde uma perspectiva financeira e de mercado.




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