Por que o Brasil é um dos quatro paraísos mundiais para se investir

O Brasil de Lula, juntamente com a China, Índia e Rússia, é um dos quatro paraísos do mundo que transbordam de oportunidades sedutoras para o capital estrangeiro. Atualmente, o Brasil se encontra em um momento crucial de sua história econômica. O país lidera o desenvolvimento econômico na América Latina, é a terceira economia do continente e a 11ª. do mundo, de acordo com dados de 2006. Depois de muitas décadas, o país atravessa hoje um período de estabilidade econômica, as reformas legislativas do governo Lula estimularam a cooperação entre o setor público e o privado, os desequilíbrios já são menores e o nível de valorização dos mercados brasileiros tem atraído a atenção dos investidores estrangeiros. A escalada observada nos valores do real e da bolsa brasileira são conseqüência direta disso. “Quem quiser investir na América Latina, tem de investir no Brasil”, assinala Rafael Pampillón, professor de Economia do Instituto de Empresa (IE) de Madri.

Lula acertou

Redescobrir o Brasil e torná-lo destino dos investimentos de empresas estrangeiras é um grande desafio. Assim, conduzido pela batuta do presidente Lula, o país avança rumo à consolidação de um ambiente de negócios amigável para os investidores externos. “O segredo do sucesso de Lula foi conseguir a compatibilização entre um crescimento sustentável sem aventuras populistas e o combate à pobreza no país”, observa Juan Carlos Martínez-Lázaro, professor de Economia do Instituto de Empresa.

A estabilidade política do governo Lula é um dos fatores responsáveis pela aposta internacional no país. O sucesso do programa de reformas que o presidente adotou contribuiu, mais do que qualquer outra coisa, para a diminuição das vulnerabilidades fiscais e externas do país. “Lula foi uma grande surpresa”, elogia Martínez-Lázaro. No início, disse, “havia uma grande desconfiança, mas ele surpreendeu a todos. Seu grande acerto foi trabalhar com o objetivo de combater a pobreza no país, mas não através de políticas populistas, e sim mediante a via da estabilidade macroeconômica”. Para Rafael Pampillón, Lula “liderou o avanço e a estabilidade conquistados pelo Brasil”.

O enorme tamanho do seu mercado, a política correta de privatizações e a diversificação do setor produtivo e exportador, bem como o clima de democracia consolidada, foram os alicerces que permitiram o surgimento de uma economia e de uma sociedade dinâmicas. “O Brasil está próximo da tese política adotada pelo Chile, Peru e México [...] O governo brasileiro acredita na globalização e defende que a abertura aos mercados favorece o crescimento, mas não pela via populista, como no Equador, por exemplo”, salienta Pampillón.

A política econômica adotada pelo governo Lula com o objetivo de garantir a estabilidade por meio de uma política orçamentária prudente e de uma política monetária em conformidade com as possibilidades do país, contribuíram para afastar o fantasma da inflação e manter as contas externas saneadas depois das turbulências de 1998. Na ocasião, a economia brasileira passava por grandes dificuldades em razão dos elevados déficits fiscais e externo que tornavam o país mais vulnerável às turbulências internacionais, e que se agravaram em janeiro de 1999. A política de ajuste gradual se revelou insustentável, o que levou o governo a substituir o sistema de bandas por um câmbio de livre flutuação, provocando assim forte desvalorização da moeda nacional. Com isso, caiu por terra um dos pilares do Plano Real, em que a taxa de câmbio servia de âncora para os preços internos. A instabilidade persistiu até março daquele ano em face do temor de que o governo não teria condições de honrar seus compromissos com a dívida pública, e também pelo fato de que o Banco Central não tinha recursos para conter a escalada do dólar. “O Brasil conseguiu recuperar a confiança que havia perdido. O crescimento vem se consolidando de forma eficaz, o que faz com que seja duradouro”, acrescenta Martínez-Lázaro.

O atrativo das bolsas

Durante mais de 20 anos, os mercados de capitais brasileiros foram marcados por um protecionismo e um subdesenvolvimento muito grandes. Depois da melhora econômica, o desenvolvimento chegou finalmente ao mercado. Atualmente, o Brasil conta com o benefício de um ambiente externo favorável. Há uma enorme liquidez nos mercados internacionais, os preços estão elevados em diversos segmentos, e o governo brasileiro mantém relações econômicas crescentes com economias em crescimento acentuado. Internamente, a política monetária permitiu o controle da inflação, que hoje está entre 3% e 4% e, em conseqüência disso, observa-se uma tendência de queda nas taxas de juros. Além disso, espera-se que as taxas de referência (Selic) passem dos atuais 12% para 9,5% até 2009. “O Brasil é um país onde vale a pena investir”, lembra Pampillón. Martínez-Lázaro, por sua vez, lembra que o Brasil “deixou de ser o país do futuro para se tornar o país do presente”.

A estabilidade macroeconômica e a expectativa de um papel crescente da economia global no Brasil converteram o país em destino muito atraente para o investimento estrangeiro. “Há um superávit comercial nas exportações”, observa Pampillón. O mesmo acontece com a bolsa, que deu um “salto espetacular”. Há apenas quatro anos, as maiores bolsas da América Latina estavam na lista negra dos investidores em mercados emergentes. A crise econômica argentina, juntamente com a chegada de Lula à presidência do Brasil, afugentaram os capitais de investimento. A rentabilidade oferecida pelo Brasil, Argentina e México não podia ser comparada à dos países asiáticos. Contudo, nos dois últimos anos, o panorama mudou. Os analistas assinalam que a subida das bolsas latino-americanas se deve a um ambiente internacional favorável. “Hoje, a taxa de câmbio flutua. Se houver um baque econômico mundial e o Brasil deixar de receber capital externo, a taxa de câmbio ajustará a economia. Como hoje o país está no auge, a taxa de câmbio se valorizou, e permanece forte”, observa Pampillón.

O Brasil tem, atualmente, uma inflação anual de 3% e uma taxa de juros no patamar de 12,5%. São dados que refletem a intenção do governo de baixar o preço do dinheiro. “De 1980 até 2005, a economia brasileira cresceu 2,8%, 2,9%, 2,3% [...] Nunca ultrapassou os 3%. Em 2006, ela rompeu essa barreira e chegou a 3,7% e, em 2007, atingiu 4,4%.” Diante desses números, Pampillón elogia o país e diz que o Brasil já caminhou bastante. “O quadro é muito bom, não importa por que ângulo olhemos”, diz. “A maior parte dos problemas do país está em processo de solução”, acrescenta Martínez-Lázaro.

Presença espanhola

Nos últimos dez anos, o investimento espanhol foi um dos grandes destaques das relações econômicas do Brasil, acumulando um volume de investimentos superior a 30 bilhões de euros, o que fez da Espanha o segundo país com maior volume de investimentos no Brasil depois dos EUA. Ao mesmo tempo, a Espanha é um dos países da União Européia com maior interesse em descobrir o Brasil, já que a economia espanhola lidera o desenvolvimento na América Latina, sendo a economia brasileira a terceira do continente e a 11ª. do mundo, conforme dados de 2006.

Como se trata de uma economia emergente, são muitos os setores a serem explorados nessa economia em desenvolvimento. Martínez-Lázaro incentiva as empresas espanholas, que têm muito o que ensinar, a aproveitarem as oportunidades que oferece o Brasil, um país de 180 milhões de habitantes. “No setor financeiro, de telecomunicações, do turismo, construção, moradia, energia limpa, exportação de material agrícola etc., a Espanha tem muito a ensinar”, observa Martínez-Lázaro. Além disso, ele chama a atenção para a gestão de infra-estruturas e de serviços educacionais. “Hoje, o Brasil aposta no espanhol como segunda língua oficial. Essa é uma porta que se abre para o turismo no país”, salienta Martínez-Lázaro.

Embora as grandes multinacionais espanholas já estejam instaladas no Brasil, o governo espanhol quer reforçar sua presença nos setores de infra-estrutura e de serviços e, principalmente, ajudar as pequenas e médias empresas a entrar no país, já que esse setor da economia espanhola até agora continua ausente do cenário brasileiro. “O problema dessas empresas, na minha opinião, é que elas não têm suporte financeiro e não contam com uma boa administração que lhes permita enveredar pelo cenário internacional por receio de fracassar”, assinala Martínez-Lázaro. Contudo, pouco a pouco, a cultura da internacionalização vai tomando conta da mente dos empresários. Por fim, “será uma necessidade incontornável”, acrescenta Martínez-Lázaro.

O que os analistas mais temem é que Lula deixe de promover as reformas que ainda faltam. “Além disso, o país é corrupto e tem uma carga fiscal enorme”, acrescenta Pampillón. Agora “é o momento de o país despertar”, prossegue. O Brasil tem tudo a seu favor para receber uma verdadeira chuva de investimentos externos.

Casos práticos

Fazer do Brasil destino dos seus investimentos foi um grande avanço para a Espanha e para Portugal, dois países com uma renda per capita crescente e em plenas condições de levar adiante suas exportações. “Trata-se de um estímulo que poderá aumentar em competitividade e em eficiência, tornando ambas as nações mais dinâmicas”, diz em tom encorajador Enrique Panés, embaixador da Espanha em Portugal. De acordo com Ricardo Espírito Santo Silva, presidente do Banco Espírito Santo (BES) e com investimentos no Brasil, o país recebe quase cem vezes mais turistas do que Portugal, uma referência numérica que maximiza os projetos portugueses em terras brasileiras. A suculenta economia do Brasil faz jus a que ela se converta “em destino inevitável do fluxo de investimentos globais”, avalia Espírito Santo Silva.

O grupo português Pestana é o que mais investe no turismo privado no Brasil. José Roquete, administrador do Pestana, acha que é fácil tentar a sorte e investir no Brasil “em razão dos baixos custos de entrada, da flexibilidade da mão-de-obra, da exportação dos modelos de gestão e importação de novas visões de negócios”. Contudo, Roquete chama a atenção para a complexidade do sistema fiscal e para os impostos elevados cobrados no Brasil, que podem se tornar até mesmo um “desestímulo ao investimento”. Além disso, há um problema sério no transporte aéreo, na segurança e em imagem”. Contudo, Roquete incentiva os investidores europeus a se lançarem em busca de novas oportunidades do outro lado do Atlântico, e diz que o Brasil “obriga a pensar grande”. Por fim, destaca o difícil equilíbrio entre a manutenção da rapidez de crescimento do país e a observação atenta aos riscos.

Miguel Stilwell, diretor da área de Análise de Negócios de Energias de Portugal (EDP), uma empresa especializada no setor elétrico com atividades na península ibérica, acredita que os negócios no Brasil vêm progredindo melhor do que o previsto. Em 2003, a EDP reorganizou seu negócio no país procurando seguir uma estratégia centrada no crescimento. Atualmente, a empresa está presente em quatro estados brasileiros e atende a uma demanda de mais de três milhões de clientes. Este ano, a companhia de eletricidade inaugura uma represa no Maranhão, na região nordeste do país, e promete apostar em novos projetos sempre em parceria com sócios internacionais. No Brasil, a eletricidade é um setor “que dá retorno, tem forte regulamentação e conta com a participação de diversas empresas”, salienta Stilwell.

Não há dúvida de que o Brasil apresenta um grande potencial de investimento. Panés, embaixador da Espanha em Portugal, incentiva os empresários a aproveitarem as possibilidades que se apresentam. “Se trabalharmos juntos, poderemos explorar inúmeras oportunidades”, diz.




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Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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