A IDC investigou o processo de implantação da portabilidade numérica em outros países e constatou que um dos fatores negativos para a mudança de operadora foi o custo da tarifa de portabilidade repassado ao consumidor.
Entretanto, o problema tende a se resolver pela alta competitividade do setor, que faz as operadoras começarem a subsidiar a taxa.
"A análise do grupo de países mostrou que o sucesso da portabilidade depende de custos atraentes e da agilidade do processo", ressalta o analista sênior de telecom da IDC Brasil, Alex Zago.
Agilidade na prestação do serviço
O tempo de espera após a mudança do número, por conta das dificuldades técnicas ou burocráticas, foi outro fator determinante para inibir a migração. "O usuário não pode ficar sem comunicação por dias ou por uma semana inteira", observa Zago.
No grupo de países com situação mais condizente ao do Brasil - no caso foram investigados os países do Leste Europeu -, o índice de consumidores que optaram por mudar de operadora variou muito.
Entre os países mais desenvolvidos e com opção pela portabilidade desde 1995, como Hong Kong, por exemplo, o processo de portar o número também foi lento no início, o que retardou a adoção.
Telefonia fixa e móvel
Segundo o analista, a portabilidade fixa chega em um bom momento ao Brasil, principalmente para as operadoras que entraram no mercado há pouco tempo ou as que estão abrangendo novas regiões.
Isso porque a competitividade deverá obrigar as concessionárias a ampliar suas ofertas e serviços, reduzir seus preços e ainda aumentar a minutagem, o que trará vantagens ao consumidor.
No caso da portabilidade móvel, Zago acredita que terá um impacto maior no segmento pós-pago, o qual possui um perfil de consumidor médio já maduro e mais avesso a mudar o número de celular, ou ainda por agregar parte do público corporativo, a quem não interessa a mudança do número.
"Mas tanto fixa ou móvel, o sucesso da portabilidade dependerá muito do governo brasileiro, das regulamentações a serem seguidas em termos de processos, tarifas e prazos", afirma o analista.