Possível crise nos EUA não deve afetar consumidores do luxo no Brasil

O consumo de artigos de luxo deve aumentar no Brasil em 2008. A afirmação é do professor Silvio Passarelli, diretor do MBA Gestão de Luxo da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).

Apesar da grande dúvida que ronda o mercado, sobre o fato de os Estados Unidos enfrentarem um período de crise este ano e se essa recessão pode atrapalhar os consumidores dos produtos de luxo no País, Passarelli é otimista. "No Brasil, o luxo é consumido por muitas pessoas, homens, mulheres de diversas idades e que estão inseridas em uma única classe social, a alta. Eu não acredito que, se houver crise nos EUA, o Brasil será seriamente afetado", afirmou.

O docente considera, no entanto, que uma possível crise pode afetar os rendimentos fáceis que vimos no ano passado, como em ações, por exemplo. "E eu creio que muitas pessoas deixarão de investir seu dinheiro no mercado de capitais e passarão a investir em artigos de ponta, ou seja, o consumo de luxo deve aumentar".

O professor acredita ainda que o potencial de consumo dos brasileiros é pouco explorado pelo comércio de luxo no País. "Atualmente, estima-se que o esse mercado movimente US$ 4 bilhões por ano no Brasil e eu creio que, mesmo sem mexer nada na estrutura orçamentária do País, os brasileiros têm potencial para movimentar US$ 12 bilhões tranqüilamente".

Premium x Luxo
Passarelli explica ainda que há um engano em acreditar que a classe média e classe média alta consumam produtos de luxo. "Classe média e classe média alta consomem produtos premium, que são os produtos top de linha que uma empresa comercial pode fabricar. São produtos diferenciados, sim, com alta qualidade, sim, mas não possuem o requinte e a exclusividade que um produto de luxo possui. Produtos de luxo são produzidos em pequenas quantidades, muitas vezes com detalhes artesanais. É a exclusividade que diferencia um produto de luxo de um produto premium", afima.

"No entanto, é inegável que o consumidor que hoje compra produtos premium, assim que tiver uma melhora em sua renda, vai passar a consumir o produto de luxo. É assim que esse mercado ganha mais adeptos".

O diretor explica ainda que, para ele, o luxo está ligado à cultura. "Quanto mais cultura um país tem, maior é o consumo de luxo nele. Isso porque, para consumir esse mercado, é preciso conhecê-lo. Uma pessoa que não conhece vinho, por exemplo, não vê motivo de gastar centenas de dólares em uma garrafa da bebida", completa.

Mercado
Para Passarelli, o mercado tem crescido de modo significativo nos últimos anos e deve apresentar elevação nos próximos 20 anos. "As pessoas estão descobrindo que, além dos produtos de luxo, existem os serviços de luxo. Atualmente, hotéis, restaurantes e até hospitais estão se especializando nesse setor, o que abre ainda mais a possibilidade de expansão. Além disso, ainda não temos um superconsumo, como no Japão e na China, mas temos muito potencial para ter".


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