Após saldo negativo em abril, o primeiro desde 2006, os depósitos voltaram a superar os saques nas cadernetas de poupança em maio, informou o Banco Central nesta segunda-feira. Os dados foram calculados com base no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que destina recursos para financiamentos imobiliário, e da poupança rural.
Segundo o BC, o resultado das cadernetas de poupança ficou positivo em R$ 1,09 bilhão em maio, após ficar negativo em R$ 1,848 bilhão no mês anterior. O saldo é resultado de depósitos da ordem de R$ 96,755 bilhões e retiradas de R$ 95,659 bilhões.
No ano, o saldo também é positivo, com R$ 2,9 bilhões em recursos, o que representa queda de 54,3% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 6,36 bilhões). Este valor indica que a entrada líquida de recursos neste ano deve ficar bem abaixo do recorde registrado em 2007, quando a captação ficou em R$ 33,38 bilhões.
No total, com o resultado de maio, a poupança agrega hoje R$ 244,396 bilhões, considerando o rendimento de R$ 1,259 bilhão dos depósitos já existentes.
O BC divulgou também o resultado no primeiro dia útil de junho, que teve um saldo positivo de captações de R$ 605 milhões mais R$ 204 milhões de rendimentos, elevando o total de depósitos para R$ 245,2 bilhões.
A baixa rentabilidade é um dos fatores que vêm reduzindo o interesse do público por esse tipo de investimento, que rende TR + 0,5% ao mês.
Os bancos são obrigados a aplicar 65% dos recursos depositados na poupança em financiamento habitacional. Outros 20% são recolhidos ao BC, na forma de depósito compulsório. Há ainda um percentual de mais 10% que são recolhidos no caso de bancos de maior volume de depósitos.
Se considerado apenas o SBPE, os depósitos de poupança somaram R$ 88,911 bilhões, e as retiradas, R$ 87,754 bilhões, o que resultou em captação líquida de R$ 1,156 bilhão. No caso da poupança rural, as retiradas (R$ 7,904 bilhões) superaram os depósitos (R$ 7,844 bilhões), o que levou à captação líquida negativa de R$ 60,254 milhões.