Os preços do milho no Brasil caíram cerca de 30 por cento em algumas praças nos últimos 30 dias, mas o produto brasileiro continua sem competitividade no mercado internacional, o que indica que o país não conseguirá repetir as exportações de mais de 10 milhões de toneladas realizadas em 2007, disseram corretores.
Com uma safra recorde e o mercado interno acima da paridade de exportação, em meio a um câmbio pouco favorável para vendas externas, é bastante provável que os estoques brasileiros se elevem nos próximos meses, acumulando aquele cereal que poderia ser exportado, acrescentaram as fontes, destacando que isso tem pressionado os preços.
A colheita da primeira safra 2007/08 já foi encerrada, e a da segunda, conhecida como safrinha, está sendo finalizada, o que resultará em uma produção total do país de 58,4 milhões de toneladas --ante 51,3 milhões em 06/07--, para um consumo anual estimado pelo governo em 44,5 milhões de toneladas.
"Com certeza, vamos fechar o ano com grandes estoques. Não tem possibilidade de exportar no momento. O milho nos Estados Unidos e na Argentina está muito barato (em relação ao brasileiro). E o mercado interno (no Brasil) paga um preço melhor do que o mercado externo", disse um corretor do Paraná, Estado que costuma liderar os embarques do cereal brasileiro.
Segundo o corretor, que pediu para não ser identificado, o mercado interno no Paraná está cerca de 3 reais por saca de 60 kg acima da paridade de exportação, em meio a uma forte demanda da indústria brasileira de carnes neste ano.
"Não deve mudar a tendência", disse ele, lembrando que os pequenos volumes embarcados recentemente foram negociados em uma outra conjuntura.
"Contratos novos, faz tempo que eu não escuto falar", destacou a fonte, lembrando que o milho de Mato Grosso que seria destinado à exportação está indo para as indústrias de aves e suínos do Sul, onde "liquida melhor do que para exportação".
Entre janeiro e julho, a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil registra exportações de 3,3 milhões de toneladas, cerca de 1 milhão a menos em relação ao volume exportado no mesmo período do ano passado. E, nas contas do corretor, 1,7 milhão do total exportado neste ano é milho da safra passada.