O presidente da sul-coreana Hyundai Motor, Chung Mong-koo, 68, foi condenado nesta segunda-feira por acusações de fraude e sentenciado a três anos de prisão.
Entre as acusações contra Mong-koo está a de ter arrecadado ilegalmente cerca de US$ 110,4 milhões de empresas afiliadas e que cerca de US$ 74,3 milhões desses recursos foram gastos com fins particulares e até com pagamentos a lobistas para obter facilitações no governo.
Ele é acusado ainda de causar perdas a afiliadas através de negócios que protegiam ou privilegiavam os próprios interesses e os do filho, Eui-sun (que não foi processado), chefe da Kia Motors.
Os procuradores vinham propondo um período de detenção de seis anos para Mong-koo, por considerarem os crimes de que o presidente da empresa foi acusado de cometer como graves.
O juiz Kim Dong-oh, que condenou Mong-koo, no entanto, justificou a sentença menor lembrando as "grandes contribuições ao desenvolvimento da economia" da Coréia do Sul, além de seu envolvimento com ações de caridade.
O juiz, mesmo assim, considerou os atos de Mong-koo como "claramente criminosos", que "minam profundamente a transparência e a solidez da gestão de negócios e exercem muitos efeitos adversos na cultura de negócios do país".
Em comunicado, a Hyundai Motor informou que Mong-koo pretende apelar da condenação e que ainda mantém "pleno controle operacional e poder decisório" na empresa. "Estamos muito desapontados com a decisão da corte", diz o comunicado.
Ainda não há previsão de data para o início do cumprimento da sentença. Mong-koo se desculpou por suas ações e seus advogados pediram que ele recebesse a suspensão da pena --desse modo, só seria preso se se envolvesse em outros crimes.
Segundo especialistas, no entanto, o presidente da Hyundai tem chance de não ter de ir para a prisão: as cortes de apelação sul-coreanas têm concedido sentenças mais brandas a empresários condenados em casos de fraude. A Alta Corte de Seul suspendeu em 2005, por exemplo, uma sentença de três anos dada ao executivo-chefe da SK Corp (maior refinaria de petróleo do país), Chey Tae-won, que havia sido condenado por irregularidades contábeis.
A Hyundai Motor e a Kia Motors respondem, juntas, por cerca de 70% das exportações de automóveis da Coréia do Sul. A Hyundai Motor foi fundada em 1967, e foi parte do conglomerado Hyundai até a crise financeira nos mercados asiáticos entre 1997 e 1998. Depois da crise, o conglomerado Hyundai se desfez em pequenos grupos.