Quando Wall Street se apaixonou pela internet, viu apenas uma garota milionária e ingênua.
No final da década de 80, fortunas foram construídas, centenas de empresas pontocom nasceram e milhares de empregos surgiram. O lema era: seja rápido ou morra! As empresas lentas e gigantes seriam engolidas pelas minúsculas e ágeis dot.com.
Grandes amigos criaram empresas como Obisidiana, Parlo, Arremate, Mundomedia ou Voe.com e levantaram grandes somas de dólares em investimentos em fundos norte-americanos e investidores anjos.
Allan Greenspan, o poderoso homem da economia norte-americana alertava sobre o estouro da bolha e o fim de dias irracionais. Todos acharam que as afirmações estavam ultrapassadas.
Eu me torturava a cada dia tentando ter uma idéia brilhante, para criar um site espetacular e vendê-lo por uma formidável fortuna. Numa de minhas viagens conheci um indiano, que me deu um sábio conselho: "No meu país, os Elefantes nunca dançam, mas quando dançam o estrago é grande".
Eis que surge uma hecatombe. Os elefantes descobriram o doce som da internet. A TAM criou seu site e a Voe.com quebrou, a Editora Abril ofereceu conteúdo na grande rede e a Obisidiana desapareceu, a Cultura Inglesa montou aulas digitais e a Parlo sumiu. Isso aconteceu no Brasil e no Mundo.
Os pessimistas decretaram o fim da internet e o castelo de areia desabou. Pessoas acordavam milionárias e voltavam para casa endividadas. Greenspan e meu amigo indiano estavam corretos.
Os covardes fugiram dizendo aos quatro cantos "Internet nunca mais". Os heróis, os sonhadores, os loucos, os teimosos permaneceram. E chegamos em 2005. O ano da nova primavera digital.
Falar de números sobre a internet é uma insanidade. Horas conectadas, ticket médio e publicidade aumentam a cada segundo.
Em cinco anos, o Google estará entre as dez maiores empresas do planeta, a enciclopédia digital Wikipédia em dois anos terá mais conteúdo do que a Biblioteca do Senado Americano.
O mundo analógico se tornou digital, empresas como AT&T (Empresa do inventor do telefone Graham Bell) RCA, e Bozzel ícones de uma outra era foram extintas.
A AAJ (Associação Americana de Jornais) realizou um estudo e concluiu quem em poucos anos os anúncios offline serão extintos e substituídos por anúncio online.
A Ford diz que 80% dos seus clientes agora fazem compras pela internet fazendo desde a pesquisa inicial até o agendamento do test drive. Assim a empresa transferiu 30% de seu orçamento de publicidade para a propaganda online.
E no Brasil? A Folha Online de domingo tem mais leitores que a Folha de São Paulo impressa. A Cartoon Networks tem mais visitantes no seu site, do que espectadores de seu canal de TV.
Contra fatos nunca haverá argumentos.
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Gil Giardelli é conselheiro do Associação Brasileira de Marketing Direto e diretor geral da Permission. Sugestões ou comentários podem ser enviados para
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