Professores de Administração deverão voltar para a escola
30 de junho de 2008 às 00:01
Por Tatiana Csordas - Amanhã
Os professores brasileiros de Administração de Empresas estão prestes a voltar aos bancos escolares. Pelo menos é essa a proposta da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad), que está sendo avaliada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do governo federal. "O objetivo é ensinar os professores a ensinar, já que eles foram preparados para serem administradores, e não para dar aulas", explica Antonio de Araújo Freitas, presidente da Angrad. "Precisamos treinar professores não apenas para atrair alunos, mas para retê-los", alerta.
Para Freitas, o ensino precisa ser repensado. "Tudo o que eu estou ensinando hoje pode se tornar inútil daqui a dez anos", alerta. A universidade deve se concentrar em estimular a criatividade, a imaginação e a capacidade de lidar com gente, já que 75% dos empregos estão na área de serviços. A sustentabilidade também deve ser incluída nos currículos. "Senão, vamos continuar formando engenheiros e administradores que querem construir hidrelétricas sem levar em conta a questão ambiental", pondera. A solução, segundo ele, não está em incluir disciplinas de responsabilidade social ou de meio ambiente no currículo, mas em estimular a transdisciplinaridade.
Um exemplo está ocorrendo na Universidade de Yale (EUA), onde não há mais cursos tradicionais de administração e finanças, e sim disciplinas integradas entre várias áreas do conhecimento. A formação de Yale inclui, ainda, uma viagem de dez dias pelos principais centros financeiros do mundo, como Nova York, Londres, Dubai e Hong Kong. Depois, os alunos devem produzir um projeto analisando um lugar que eles não visitaram, como Cingapura, Mumbai ou São Paulo.
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