Com a globalização e o conseqüente aumento de viagens a trabalho, cresce a preocupação das empresas em proteger seus funcionários contra os riscos de contrair doenças em viagens ao Exterior. O infectologista José Geraldo Ribeiro, professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, adverte que essa preocupação deveria se estender às viagens pelo território nacional. “As pessoas procuram mais informações sobre os riscos de uma viagem a outro continente, quando, às vezes, existe maior probabilidade de transmissão de doenças numa jornada de curta distância, cujo destino é uma área de risco”, afirma o médico. O recente surto de febre amarela silvestre é prova deste fato: 85% dos 40 casos confirmados eram de pessoas não-vacinadas e 5% de pessoas imunizadas há mais de 10 anos. Não se conhece a situação vacinal dos 10% restantes.
De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), das 850 milhões das pessoas que viajam por ano, 136 milhões (16%) estão a trabalho. Para evitar as doenças transmissíveis, é preciso estar com a vacinação de rotina em dia e se imunizar contra as doenças da região para onde se vai. As principais vacinas indicadas para viajantes são contra a diarréia do viajante, a hepatite A, a cólera, a febre amarela e a febre tifóide. As três últimas são recomendadas para quem se destina às áreas de risco.
Já as vacinas contra a diarréia do viajante e hepatite A devem ser tomadas por qualquer viajante, porque são transmitidas por água e alimentos contaminados. “Como não conhece o local, o profissional pode comer em restaurantes, onde há problemas de segurança alimentar, ficando vulnerável a essas doenças”, disse José Geraldo Ribeiro.
No Brasil, o aumento de viagens a trabalho dentro e fora do território nacional foi tão expressivo que empresas já estão terceirizando o serviço de diagnóstico de saúde e prevenção de doenças de profissionais viajantes. Jessé Alves observa que, quando o setor de Consultas a Viajantes foi criado, há três anos, a equipe realizava uma consulta por semana. Agora são cerca de 100 por mês, além das consultorias dadas aos departamentos médicos.
O serviço de Medicina de Viajante envolve a avaliação do estado de saúde do profissional, itinerário, das atribuições e do tempo de permanência. “Tanto o executivo que viaja para participar de uma reunião como o operário que vai trabalhar no campo estão sujeitos a riscos. Por isso, cada situação merece uma análise e uma abordagem diferenciada”, explicou Jessé Alves.