Programa Alavancagem Tecnológica capacita mais de 1.000 empresas em SP

Mais de mil empresas do Estado de São Paulo participaram do Programa de Alavancagem Tecnológica, um projeto de capacitação e consultoria de indústrias desenvolvido pelo Sebrae estadual em parceria com a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). O evento de encerramento da Fase 2 do programa aconteceu na manhã desta quarta-feira (21), na sede do Sebrae em São Paulo.

Cerca de 50 pessoas estiveram presentes ao evento, entre elas, diretores da Anpei, do Sebrae em São Paulo e empresários. “O programa desmistifica a idéia de que tecnologia é algo complexo a ser implantado nas indústrias. Estamos prontos para avançar para a Fase 3, onde queremos passar de mil para 10 mil empresas atendidas. Por isso está na hora de nacionalizar o programa”, disse o superintendente do Sebrae/SP, Ricardo Tortorella.

Segundo o gerente da área de Inovação e Acesso à Tecnologia do Sebrae/SP, Marcelo Dini, já existem intenções de expandir, agora em 2007, o Alavancagem Tecnológica para outras unidades estaduais do Sebrae, tendo inclusive o apoio do Sebrae Nacional. “O Sebrae/SP apresentou o programa para 18 unidades do Sistema Sebrae e estamos recebendo uma grande demanda para o repasse da metodologia”, disse.

Para o gestor do projeto no Sebrae/SP, Antonio Carlos Larubia, há possibilidade de implementar a tecnologia em vários setores industriais. “Por exemplo, podemos ter o Alavancagem nos segmentos do vinho, no Rio Grande do Sul, ou o da cachaça, em Minas Gerais”.

Tortorella reafirmou a importância que a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas coloca em relação à tecnologia. Segundo ele, a tecnologia pode fazer uma grande revolução no ambiente dos pequenos negócios e a lei corrobora neste sentindo tornando obrigatório o investimento de pelo menos 20% dos recursos das entidades de tecnologia em empresas de pequeno porte. “É um volume de dinheiro significativo e importante para o segmento e não podemos perder esta oportunidade”.

Células de Fabricação
A Fase 2 do Programa de Alavancagem, denominada Acelerando a Produtividade, teve início em 2005 e foi realizada por 403 empresas agrupadas em 40 projetos coletivos, dos quais participaram 642 profissionais. No total, foram feitas 20 horas de treinamento e 7 horas de consultoria por empresa. Os setores envolvidos foram: calçados, confecções, cerâmica, metal-mecânica, móveis e plástico/borracha.

Durante o treinamento foram abordados quatro tópicos: Formação de Célula de Fabricação, Eliminação de Gargalos, Padronização de Rotinas Operacionais, Apuração do Resultado da Operação Industrial. Na Fase 1, iniciada em 2003, participaram de 602 empresas industriais agrupadas em 69 projetos coletivos, com 1.078 profissionais.

“O sucesso do Programa foi proporcional ao esforço de cada empresário, que deveria cumprir as tarefas de auto-implementação estipuladas pelos consultores. E todas as empresas se dedicaram muito”, disse Simone Cornelsen, gerente da Anpei.

Ao final dos projetos, 82,5% das empresas afirmaram que pretendiam implantar os quatro tópicos do módulo Acelerando a Produtividade por conta própria, sendo que destas, 52,1% pretendiam implantar em até 3 meses e 30,4% em até 12 meses. A sondagem mostrou também que na, Fase 2, 98 empresas afirmaram ter aumentado a produtividade entre 7% e 150% com a implementação dos módulos.

É o caso de Alan Rodrigo Espósito, proprietário da Estek Tecnologia (da capital), empresa que produz lupas, focos de luz e vídeos microscópicos para apoio a médicos e esteticistas. Participante das duas fases do Programa, a empresa ampliou em 100% a sua produção e a participação de mercado com uma mudança simples na linha de produção e a eliminação de gargalos posteriores.

“Ao invés de cada funcionário montar uma única peça, o processo foi dividido entre eles, e criou-se uma linha de montagem. Depois, foi eliminado um novo gargalo que surgiu pelo aumento da produção, e agora estamos trabalhando na implantação de rotinas operacionais, que irão melhorar ainda mais os processos”, conta Espósito.

Outro caso de sucesso é o da empresária Patrícia Barboza, da Raízes da Moda, de Ibirá (região de São José do Rio Preto). Fabricante de moda feminina, Patrícia implementou na empresa o sistema de células de produção. “Antes do programa, o trabalho era realizado com o uso de balaios. O re-trabalho girava em torno de 60% e eu só conseguia produzir 40% das minhas metas”.

Com a célula, em formato de U, a Raízes da Moda eliminou totalmente o re-trabalho e aumentou em 70% a sua produção. “Além disso, implementamos a Tabela de Classificação de Soluções e a Matriz de Tecnologia para os serviços terceirizados. Com a tabela, houve uma redução de 55% nos atrasos dos terceirizados e com a matriz, eliminamos em 83% o re-trabalho desses terceirizados”.

A empresária aprendeu também que não poderia trabalhar apenas com um grande cliente. Atualmente está vendendo para cinco clientes, inclusive no Paraná. Animada com o projeto, Patrícia conta que agora é uma multiplicadora da metodologia para as empresas informais na cidade.





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