Pela segunda semana consecutiva, o mercado financeiro baixou a sua projeção para o IPCA de 2008, que é utilizado como referência no sistema de metas de inflação. Segundo o relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central, a estimativa dos analistas de mercado ouvidos pela instituição passou de 6,54% para 6,45% para o IPCA deste ano.
Com isso, a expectativa do mercado para o IPCA voltou a ficar abaixo do teto do sistema de metas de inflação de 2008 - que é de 6,50%. Para os próximos 12 meses, a projeção do mercado recuou de 5,37% para 5,34% mas, para 2009, foi mantida estável em 5%.
Metas de inflação
Para 2008 e para o próximo ano, a meta central de inflação do governo é de 4,50%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja oficialmente descumprida.
A projeção do mercado para o IPCA está, portanto, acima da meta central de inflação, mas abaixo do teto de 6,50%, tanto para 2008 quanto para 2009. Se o BC julga que a inflação não está compatível com a trajetória das metas, opta por elevar os juros para conter a procura por bens e serviços.
Juros
Mesmo com um cenário um pouco melhor para a inflação, o mercado financeiro acredita que o Banco Central promoverá um aumento maior de juros neste ano para controlar a subida dos preços. O objetivo do BC é trazer a inflação para o centro da meta do governo, de 4,50%, já em 2009. Atualmente, a estimativa de inflação do mercado para o IPCA do ano que vem está em 5%.
Por conta disso, o mercado financeiro passou a prever que os juros subam para 14,75% ao ano no fim de 2008, contra a projeção anterior de 14,50% ao ano. Na reunião do Copom de setembro, segundo os analistas, a taxa de juros subiria de 13% para 13,75% ao ano.
Já na reunião do Copom de outubro, segundo o mercado, os juros avançariam para 14,25% ao ano e, em dezembro, para 14,75% ao ano. Até o momento, o mercado estimava um aumento menor em dezembro: para 14,50% ao ano. Segundo a projeção dos analistas, os juros permanecerão em 14,75% ao ano até setembro de 2009. Para o fim do ano que vem, a estimativa do mercado para os juros é de 14% ao ano.
Dólar
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio é de que ela termine este ano em R$ 1,60, ou seja, abaixo da projeção da semana anterior (R$ 1,61 por dólar). Para o fim de 2009, a estimativa dos analistas para a taxa de câmbio recuou de R$ 1,72 para R$ 1,71 por dólar.
PIB
Os analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central mantiveram a sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano em 4,80% na última semana. Para 2009, porém, o cenário de subida dos juros já começa a surtir seu efeito. A projeção do mercado para o crescimento econômico do ano que vem caiu de 3,90% para 3,73% na semana passada.
Balança comercial e investimentos diretos
A projeção do mercado financeiro para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) de 2008 subiu de US$ 23 bilhões para US$ 23,1 bilhões na última semana. No início deste ano, os analistas ouvidos pelo Banco Central projetavam superávit de US$ 31,9 bilhões para a balança comercial em 2008. Para o ano de 2009, a estimativa do mercado para o saldo comercial foi mantida estável em US$ 15 bilhões.
No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado financeiro para o ingresso de 2008 subiu de US$ 34 bilhões para US$ 34,50 bilhões na última semana. Para 2009, a projeção ficou estável em US$ 30 bilhões.