Um levantamento divulgado recentemente pela universidade norte-americana de Pittsburgh estima que, anualmente, dois milhões de executivos deixam seus empregos em todo o mundo por se sentirem desvalorizados dentro das organizações. Essa insatisfação gera um prejuízo de US$ 64 bilhões aos cofres das companhias, segundo cálculos da própria universidade. De acordo com representantes da instituição norte-americana, os efeitos do baixo astral poderiam ser atenuados se as empresas implementassem programas de desenvolvimento ou identificação de habilidades dos profissionais. Atenta a essa perspectiva, a Escola Superior de Administração, Direito e Economia (Esade), de Porto Alegre, decidiu oferecer um curso de pós-graduação em Avaliação Psicológica nas Organizações. "O curso busca capacitar psicólogos para selecionar e avaliar o potencial de candidatos a vagas no meio corporativo e também analisar as aptidões dos funcionários que já atuam nas empresas", explica a psicóloga Daniela Forgiarini Pereira, coordenadora do curso da Esade. Daniela acha possível evitar a debandada dos executivos por insatisfação, desde que haja uma criteriosa seleção de pessoal e avaliação contínua das capacidades dos profissionais. "É importante que as empresas deixem claro, desde o começo, o que realmente querem de cada executivo. Muitas vezes, as companhias têm planos de carreira limitados ou prometem o que não podem cumprir", aponta Daniela.
A falta de transparência das empresas é realmente um grande problema, reforça Antônio Moutinho, especialista em planejamento de carreira. "É necessário que as corporações sejam verdadeiras quando apresentam sua filosofia. A incompatibilidade entre o discurso e a prática causa situações desconfortáveis para os funcionários, que acabam frustrados em suas perspectivas iniciais", aponta. Fabiana Vieira, headhunter da Vipper Talentos, de Santa Catarina, acrescenta que, ao apresentar as perspectivas para os funcionários, as empresas não devem pensar apenas em questões como salários e outros benefícios financeiros. "Cada profissional tem a sua produtividade motivada por uma questão particular. Para alguns, pode ser o salário. Para outros, pode ser o reconhecimento do seu trabalho ou um ambiente de trabalho adequado", demonstra Fabiana. Segundo a Esade, a pós-graduação "Avaliação Psicológica nas Organizações" é a primeira do Brasil a preparar psicólogos para ajudar nessa tarefa.