Quando piadas viram assédio

Você já sofreu humilhações no local de trabalho? Já foi posto em situação de pressão extrema e de exposição exagerada? Se respondeu "sim", você foi vítima de assédio moral dentro da empresa que trabalha, e pode ter sua carreira ameaçada.

De acordo com Regina Milgliori, Consultora de Paz da Unesco e diretora da Migliori Consultoria, algumas corporações estão impondo restrições à contratação de profissionais que tenham passado por empresas que praticam o assédio moral. Esse é um alerta perigoso, que põe em risco não só a carreira do funcionário como sua própria saúde.

O assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo, acompanha a prática laboriosa desde sempre. A novidade reside na intensificação e na amplitude do fenômeno.

No século em que, mais do que nunca, tempo vale dinheiro, a pressão por resultados põe em xeque os valores da empresa. "Quando a empresa está focada somente em metas que atendam aos seus próprios interesses, a corporação não consegue construir uma missão e uma causa que motive as pessoas, sejam funcionários ou não", explica Migliori.

Geralmente, dizem os especialistas, o assediador tem um perfil característico: têm facilidade de manipular as pessoas, sabe identificar quem é o mais fraco dentro da empresa e têm altos índices de perversidade. "Os gestores, que para alcançar as metas desejadas, adotam um forte tipo de pressão sobre as pessoas, chegando até a humilhar seus colegas e subordinados, estão demonstrando abertamente suas fraqueza.", explica Migliori.

Uma denúncia ou acusação de assédio moral é muito pesada e pode gerar muitos problemas para a empresa e os envolvidos. Mais do que isso, pode gerar problemas de saúde ao assediado. A violência é sutil, o terror é psicológico e ociasiona raiva, baixa-estima, tristeza, que podem migrar para distúrbios do sono, hipertensão, distúrbios digestivos, dores generalizadas e até depressão.

O profissional que concorda em atuar como liderança ou sob este tipo de conduta ofensiva mostra, mais do que uma soberba, uma falta de competência para liderar. E o subordinado que se deixa humilhar, demonstra falta de amor-próprio e pode estar pondo em risco, sua própria carreira. "Podem existir compensações financeiras, mas a pessoa poderá estar comprometendo toda a sua carreira. Já existem profissionais omitindo em seus currículos que trabalharam em determinadas empresas para não serem excluídos ou perderem oportunidades de trabalho", finaliza Milgiori.


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