Que criatividade é esta da qual o brasileiro se orgulha?

Quando o assunto é inovação, o Brasil fica atrás de muitos outros países. Até aí, nada demais, não fosse o fato de que várias destas nações que estão na dianteira são emergentes como o Brasil. Esse foi o tom com o qual, Gustavo Zevallos, sócio-diretor da consultoria Monitor Group, conduziu sua exposição para a platéia de empresários reunida pela Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul nesta quarta-feira. É claro que, mais uma vez, o exemplo coreano despontou – assim como as duas grandes referências de inovação do país, LG e Samsung. Zevallos fustigou um dos paradoxos nacionais: apesar de ser considerado um povo criativo, o brasileiro ainda carece de estruturas de apoio que transformem essa criatividade em inovação e tragam retorno financeiro para as companhias. “Não basta ter idéias. É preciso colocá-las em prática. O governo ainda investe muito para incentivar a inovação no meio acadêmico, mas não há aproximação entre empresa e universidade”, opina Zevallos.

Uma das saídas para impulsionar a inovação, segundo ele, seria o incentivo aos clusters, como fez a Coréia do Sul no setor de eletroeletrônicos. “Hoje, para que um setor ganhe mercado, é preciso que haja aproximação de empresas, centros de pesquisas, fornecedores e governos num mesmo local. Todos os elos da cadeia precisam ser inovadores”, aponta. Para que isso aconteça, ele aconselha que o Brasil trabalhe para desmistificar a idéia de que a união com outras empresas de um mesmo setor possa ser uma ameaça à competitividade. “Mas essa mentalidade ainda impera no país”, apontou Zevallos. Outra barreira para os investimentos em inovação é a informalidade no Brasil. “De nada adianta o empresário investir na criação de novidades sabendo que pode ser rapidamente copiado”. Mas o Brasil também tem exemplos a serem destacados. Recentemente, o Monitor Group realizou um levantamento mundial sobre processos de inovação em diversos segmentos, com destaque para mais de 100 experiências – alguns delas detectadas aqui mesmo, no Brasil. É o caso da fabricante de cosméticos Natura, que criou um sistema de venda direta pelo qual as revendedoras da empresa foram transformadas em consultoras de beleza. Outro destaque do país apontado pela pesquisa é a máquina de venda de livros, por meio da qual, com algumas moedas, é possível comprar um livro – algo semelhante às engenhocas que comercializam refrigerantes. O projeto foi criada pelo empresário paranaense Fábio Bueno Netto.

Zevallos também advertiu para o fato de que, com a globalização e a comunicação instantânea, o ciclo de vida de uma inovação tem se tornado cada vez menor. “Eu crio uma novidade hoje. Amanhã, uma empresa de qualquer parte do mundo faz o mesmo e aquilo deixou de ser inovação. O processo de inovação se tornou um abrir e fechar constante de portas”, declara. A palestra de Zevallos foi a segunda de uma série de dez encontros sobre inovação que serão promovidas até outubro pela Federasul, em comemoração aos 80 anos da entidade.




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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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