A Bovespa teve um dos piores desempenhos dentre as Bolsas mundiais pressionada pela expressiva desvalorização das ações da Petrobras - a maior em um dia em quase uma década.
A queda da Bovespa foi de 7,75%, o que a levou de volta aos 34.373 pontos. O recuo da Bolsa no ano está em 46,19%. No topo da lista das maiores perdas do pregão, a ação preferencial da Petrobras encerrou com queda de 13,75%, a R$ 20,62.
Segundo levantamento da Economática, essa foi a maior queda da ação em um pregão desde janeiro de 99. O papel ON da estatal caiu 13,25%. Não faltaram analistas insatisfeitos com dados do balanço da Petrobras, anunciado na noite de terça-feira. "A idéia de que vai haver uma recessão está provocando pânico de forma generalizada. A Petrobras é uma ação de muita liquidez e assim muitos investidores aproveitam para vendê-las”, analisa Luiz Antonio Fernandes, especialista em Finanças e professor das Faculdades Integradas Rio Branco.
Esse sentimento gera um comportamento arredio dos investidores de vender a qualquer preço e assim o pânico vai dominando e se instalando. “No caso especificamente da Petrobras, a queda das ações deve-se a três fatores. Primeiro é necessário levar em conta que o lucro, apresentado no balanço divulgado pela Petrobras na última terça-feira (11) e que foi histórico, foi resultado do preço elevado do petróleo. Depois pelo valor do dólar e também pelo próprio aumento de produção. Agora a realidade é outra, o preço do barril caiu muito – anteriormente chegou a QUASE US$ 200 e hoje é vendido ABAIXO DE US$ 60. Por outro lado, embora o Governo esteja anunciando o andamento dos testes no pré-sal, o Brasil certamente encontrará dificuldades para obter financiamentos para a extração/exploração do petróleo que está nesses postos principalmente aos preços atuais do barril de petróleo”, explica o professor.
A grande questão a ser analisada é que o investidor analisa tudo o que está acontecendo no mercado e, por isso, vende as ações. Ainda mais em uma situação de crise que vai se aprofundando.