Queda de juros entre bancos indica cenário melhor para retomada do crédito

Os juros para empréstimos e financiamentos entre as instituições bancárias registraram nova queda nesta terça-feira. Injeções maciças de dinheiro por parte de bancos centrais no mundo todo, além de ajudas a bancos e empresas financeiras que rondam os US$ 3 trilhões, levaram a isso: juros interbancários menores podem diminuir a resistência na concessão de crédito. Com isso, a economia mundial teria de volta aquilo de que mais precisa para sair da crise : dinheiro em circulação.

A chamada taxa Libor ("London Interbank Offered Rate") para empréstimos de três meses em dólares caiu 0,23 ponto percentual, para 3,83%. Trata-se da primeira vez que a taxa fica abaixo de 4% desde 29 de setembro deste ano.

Outra taxa de juros interbancários, a Euribor ("European Interbank Offered Rate"), para empréstimos de três meses em euros, também caiu --0,03 ponto percentual, para 4,968%. Trata-se da primeira vez que a taxa fica abaixo dos 5% desde 18 de setembro, quando quebrou o banco americano de investimentos Lehman Brothers. No dia 10 deste mês, em meio a quedas históricas nas Bolsas no mundo todo, a Euribor havia atingido o pico de 5,393%.

A importância da taxa Libor está no fato de ela ser a taxa de referência para cobrança de juros por empréstimos que as maiores instituições bancárias fazem entre si. Por isso, ela é utilizada como base para que os bancos calculem os juros que cobram em outros empréstimos. A Euribor, por sua vez, foi introduzida depois da criação do euro, em 1999.

Como essas taxas estão na base dos cálculos para os juros, a redução sinaliza um barateamento do dinheiro. Justamente a possibilidade de que o crédito retorne a níveis normais ajudou a trazer algum ânimo aos mercados mundiais, visto nos resultados das Bolsas de ontem --o que somou-se a um possível novo pacote de estímulo à economia dos EUA, sugerido pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke.

Mesmo assim, analistas apontam para o fato de que essas taxas continuam muito acima das cobradas pelos bancos centrais. Neste mês, seis dos principais BCs do mundo --Fed, Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês)-- decidiram, em caráter emergencial, reduzir nesta quarta-feira suas taxas de juros.

A taxa de juros do Fed está hoje em 1,5% ao ano, nível visto pela última vez em 2004, quando o banco começou a elevar a taxa para regular uma economia que saía então de uma recessão. A taxa do BCE, por sua vez, está em 3,75%; o banco vinha relutando em reduzir a taxa diante de pressões inflacionárias sobre a economia européia.

Diante da desaceleração global, e com algumas economias européias já em recessão, como a França e a Irlanda, o banco teria que reduzir os juros para não estreitar ainda mais o espaço para a movimentação da economia.

BCE

Hoje, o BCE (Banco Central Europeu) injetou no sistema bancário da zona do euro mais de US$ 500 bilhões, para ampliar a oferta de dinheiro e facilitar as operações de crédito.

Além disso, a Alemanha já havia anunciado um pacote de 500 bilhões de euros para resgatar o sistema financeiro do país. Os EUA, por sua vez, aprovaram US$ 700 bilhões em um pacote para o mesmo fim no início deste mês --com US$ 250 bilhões já liberados pelo governo para compra de ações de bancos.

A crise ganhou força depois que o banco americano Lehman Brothers quebrou no mês passado, lançando uma onda de desconfiança que teve como efeito principal uma interrupção no fluxo de crédito nos mercados mundiais. Com crédito escasso, os números de empréstimos e financiamentos cai, se refletindo em menos consumo e investimentos em produção. A economia mundial entrou, assim, em um ritmo mais lento, e as projeções econômicas mais recentes apontam para um desempenho mais fraco em 2009.



Compartilhe



Palavras-chave

Mais notícias

Leia mais notícias

PUBLICAÇÕES RELACIONADAS
Cultura Organizacional: o Caso do Banco BRC S/A
MARCELO LOYOLA FRAGA
Direito para Administradores - Vol. 1
HENRIQUE MARCELLO DOS REIS CLAUDIA NUNES PASCON
HSM Management
Editora HSM do Brasil
A Arte de Comprar e Vender Empresas
Érico Luiz Canarim • João Luiz Coelho da Rocha • José Carlos Pereira • Paulo Gur
Matemática Financeira: Objetiva e Aplicada - Edição Compacta
ABELARDO DE LIMA PUCCINI ADRIANA PUCCINI

CURSOS ONLINE RELACIONADOS
Matemática Financeira com Excel e HP 12C
Francisco Cavalcante
Direito Empresarial
Lara Selem
Gerência Financeira na Prática
Carlos Alexandre Sá
Direito Comercial
Catho Educação Executiva
Direito Administrativo
Catho Educação Executiva

Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





apoio AngradHightechADM Shop
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.